Não existe um único ser no samsara — este imenso oceano de sofrimento — que, ao longo do tempo sem início, nunca tenha sido nosso pai ou nossa mãe. Quando esses seres foram nossos pais, seu único pensamento era nos criar com a maior bondade possível, protegendo-nos com grande amor e oferecendo-nos o melhor de sua própria comida e vestimenta.
Todos esses seres, que foram tão bondosos conosco, desejam ser felizes, mas não têm ideia de como colocar em prática aquilo que produz felicidade: as dez ações positivas. Nenhum deles quer sofrer, mas não sabem como abandonar as dez ações negativas que estão na raiz de todo sofrimento.
Assim, seus desejos mais profundos entram em contradição com aquilo que realmente fazem. Pobres seres, perdidos e confusos, como um cego abandonado no meio de uma planície vazia! Diga a si mesmo:
“É para o bem deles que vou ouvir o Dharma profundo e colocá-lo em prática.
Conduzirei todos esses seres, meus pais, atormentados pelos sofrimentos dos seis reinos da existência, ao estado de Budeidade onisciente, libertando-os de todos os fenômenos kármicos, padrões habituais e sofrimentos de cada um dos seis reinos.”
É importante ter essa atitude sempre que você escutar os ensinamentos ou os praticar.
Sempre que fizer algo positivo, seja de grande ou pequena importância, é indispensável aprimorá-lo com os três métodos supremos. Antes de começar, gere a bodhicitta como meio hábil, assegurando que a ação se torne uma fonte de bem para o futuro.
Durante a ação, evite envolver-se em conceitualizações, para que o mérito não seja destruído pelas circunstâncias.
Ao final, sele corretamente a ação dedicando o mérito, garantindo que ele continue a crescer cada vez mais.
A forma como você escuta o Dharma é muito importante. Mas ainda mais importante é a motivação com a qual você o escuta. O que torna uma ação boa ou má?
Não é a aparência, nem o tamanho da ação, mas a motivação boa ou má por trás dela.
Não importa quantos ensinamentos você tenha ouvido: estar motivado por preocupações ordinárias — como desejo por grandeza, fama ou algo semelhante — não é o caminho do verdadeiro Dharma. Por isso, antes de tudo, é essencial voltar-se para dentro e transformar a própria motivação. Se você corrigir sua atitude, os meios hábeis permearão suas ações positivas, e você terá iniciado o caminho dos grandes seres. Se não o fizer, pode até pensar que está estudando e praticando o Dharma, mas isso não passará de uma aparência do verdadeiro caminho.Portanto, sempre que ouvir os ensinamentos e sempre que praticar — seja meditando numa divindade, fazendo prostrações e circunambulações, ou recitando um mantra, mesmo que seja um único mani — é essencial gerar bodhicitta.
As pessoas comuns acreditam que a felicidade vem do desenvolvimento material. Atualmente, se olharmos para o mundo, apesar de todo esse desenvolvimento, muitos seres humanos continuam sofrendo. Isso mostra que o desenvolvimento material não traz felicidade verdadeira à mente; apenas torna a vida “mais fácil”.
Se observarmos um país rico, veremos muitas pessoas com problemas mentais e muitas emoções negativas — não há verdadeira felicidade nem paz interior; há vazio.
Todo ser possui uma natureza verdadeira, mas não a reconhece. Os ensinamentos budistas apresentam essa natureza verdadeira — o seu próprio eu interior. Esse eu interior contém a semente do amor e da compaixão que conduz à iluminação. A prática e a meditação budistas sustentam você e ajudam a desenvolver essa semente, aumentando a virtude positiva.
Essa virtude positiva pode trazer felicidade verdadeira temporária, mas o objetivo último é alcançar a iluminação. Se não nos tornarmos iluminados, nossa mente negativa e nossos pensamentos continuam, resultando em sofrimento contínuo.
Do capítulo sobre Sabedoria de Shantideva:
“Treinando nessa aptidão para a vacuidade, o hábito de perceber substancialidade se enfraquecerá.
Treinando na visão de que tudo carece de entidade própria, essa própria visão também desaparecerá.” A filosofia budista revela a natureza verdadeira e a disciplina. Quando nossa natureza verdadeira possui disciplina, tudo o que fazemos ocorre de forma positiva e em benefício dos outros seres. Muitas pessoas não têm honestidade nem consigo mesmas; por isso, não conseguem ser honestas com os outros. O budismo pode guiá-lo a ser honesto consigo mesmo e com os demais. Isso exige disciplina — mas não uma disciplina vazia.
Não ter respeito nem compreensão do caminho budista faz com que todas as ações surjam da negatividade, sem qualquer disciplina. A mente e a vida tornam-se como um banheiro público — tudo é sujo.
O significado de samsara, em sânscrito, é “ciclo de existência”. Todo ser deseja felicidade, mas é ignorante em relação ao princípio de causa e efeito. Assim, envolve-se em ações negativas e o resultado é mais sofrimento — o samsara.
Todo ser sofre — não importa se é rico ou pobre, bonito ou feio, ou qual seja a cor de sua pele. O samsara é como fezes: não existe fezes boas ou bonitas; todas cheiram mal.
O Buda disse que, assim como o céu é onipresente, todos os seres sencientes possuem pensamentos e emoções negativas onipresentes. Isso é um oceano de sofrimento, interminável. Precisamos de renúncia a esse sofrimento.
Neste momento, estamos encontrando o precioso Dharma — uma oportunidade incrivelmente rara e especial do renascimento humano. Precisamos reconhecer como cessar o sofrimento. Encontrar um mestre budista autêntico apoia e guia rumo à libertação do oceano do samsara. Um mestre autêntico é extremamente importante, pois, se não for autêntico, pode destruir a vida de outras pessoas ao tentar beneficiar apenas a si mesmo — isso é cínico. Um mestre não autêntico é 50/50: 50% ensinamento verdadeiro e 50% falso ou inventado. É como um remédio que se transforma em veneno.Quebrar o samaya é algo muito sério. Por exemplo, uma pessoa com uma doença sexualmente transmissível pode infectar muitas outras, mas isso representa um perigo físico limitado a uma única vida. Já a quebra de samaya pode trazer efeitos negativos para o próprio praticante e para outros por muitas vidas.
Um mestre autêntico é sempre honesto e tem boas intenções para os outros seres. Ao participar de ensinamentos, é absolutamente necessário haver uma boa conexão entre professor e aluno. Sem uma relação saudável entre mestre e discípulo, é muito difícil que os ensinamentos se desdobrem naturalmente. O ensinamento depende profundamente dessa conexão.
O professor precisa estar inspirado a ensinar aquele tema. Ele não pode sentir: “Não quero falar sobre isso”, ou “Ninguém vai entender este ensinamento”, ou “Ninguém valoriza este ensinamento”. Muitas pessoas não budistas leem ensinamentos budistas e aprendem muitas coisas, mas não os aceitam. Elas compreendem o que o Buda disse e acham útil, mas não querem aceitar seus ensinamentos por medo de perder o próprio ego. Já pessoas budistas que acreditam, mas não querem praticar, sabem que isso é como pular do topo de uma montanha — conhecem bem a consequência do salto.
Suas crenças não fazem de você uma pessoa melhor — seu comportamento faz.
Seu treinamento mental não tem valor se não houver compaixão. Sua meditação não tem valor se você não reconhece suas próprias falhas. A prática do Dharma não tem valor se não houver devoção. Os obstáculos podem ser superados quando há bênçãos.
Que todos os preciosos mestres, o esplendor da doutrina, alcancem todos os lugares como o céu. Que brilhem sobre todos como o sol e a lua, e que suas vidas sejam firmes como montanhas. Espero que este texto seja benéfico e que todos o apreciem. Você pode lê-lo todos os dias até o fim desta vida — cem por cento de benefício garantido. É como um animal transformar-se em ser humano, e o humano tornar-se iluminado — quão precioso! Você também pode se juntar à nossa página no Facebook, onde toda semana são publicadas atualizações regulares e mensagens importantes.
Se a intenção é boa, os níveis e os caminhos são bons. Se a intenção é má, os níveis e os caminhos são maus. Como tudo depende das intenções, assegure-se sempre de que elas sejam positivas.
Jetsun Mila cantou:
Ninguém para me perguntar se estou doente, Ninguém para me lamentar quando eu morrer: Morrer aqui sozinho neste eremitério É tudo o que um yogi poderia desejar. Nenhuma marca de pés do lado de fora da minha porta, Nenhuma marca de sangue no interior. Morrer aqui sozinho neste eremitério É tudo o que um yogi poderia desejar.
Eles logo começam a acreditar nisso eles mesmos e a pensar em si como pessoas muito importantes, que já não precisam mais dessas coisas. Mas, como disse o incomparável Dagpo Rinpoche,
Jigme Lingpa disse:
Sem inteligência, sem poder, Sem riqueza ou força, nada pode ajudar
Alguém sem diligência. Ele é como um barqueiro cuja embarcação
Tem tudo, menos remos. Nunca será possível praticar — diz-se que meditar sem ter estudado É como escalar uma rocha quando se não têm braços. Os seis princípios mais importantes dos mosteiros.
