O professor certo e errado Excertos

APENDICE I COMENTÁRIOS SUPLEMENTARES EM O PROFESSOR

ESPIRITUAL(VERSO 6) A. O professor certo e errado Excertos de O vaso de Amrita de Dzatrul Ngawang Tendzin Norbu (folio 19 et seq.) O professor errado O trantra interno (nang rgyud) diz: Ignorante e orgulhoso, Desprovido de inteligência ele ensina meras palavras, Ele reduz outros com declarações desacreditadas;
Com pouco ensinamento e muita arrogância Ele é um verdadeiro mal para o discípulo que fracassa ao reconhece-lo como um professor. Como um professor não tem nem uma única de muitas qualidades que nascem do escutar e meditar. Apesar de tudo, por pertencer a uma boa família, ele afirma: “Eu sou o filho de fulano e sicrano”, e, como um Brâmane, presunçosamente, engana a si próprio em sua nobre linhagem. Embora ele não seja diferente de qualquer pessoa comum, ele age como se estivesse no mesmo patamar que os grandes siddhas do passado. Quando ele faz um pequeno estudo e prática, ele se infla com auto-capricho assim que outros mostram a ele algum sinal de respeito. Ele é tão cheio de orgulho, tão estúpido e arrogante que ele não pode ver as qualidades de grandes seres. Ele é irascível e ciumento e,

o fio de amor e compaixão são quebrados nele. Se você, cheio de fé, encontra e segue um professor enganado é como se um guia maluco mostrasse a estrada para você. Sua vida inteira de ações virtuosas será desperdiçada. Buscando a proteção dele é como querer descansar embaixo de uma sombra
fresca de uma árvore que revela-se uma enorme serpente venenosa. O professor certo Com vasta erudição nos sutras, tantras e comentários, ele é consciente dos pontos cruciais dos três votos. Tendo descartado todos os véus da ignorância e compreendido tudo que deve ser compreendido, ele tem a habilidade de cortar as dúvidas econcepções errôneas com sua afiada sabedoria. Sua mente é imbuída de amor e compaixão para com os outros, como uma mãe para com seu único filho. Assim, ele pode ser seguido e confiado.

Ele sabe e pode ensinar ambos: o caminho do surgimento dos samaras através das emoções confusas e o caminho do nirvana é atingido através da total purificação. Ele reúne discípulos afortunados nas quatro direções – dando presentes, falando gentilmente, ensinando de acordo com as faculdades do discípulo e comportando-se de acordo com o que ensina. Permanecendo perto dele, você adquirirá suas boas qualidades, assim como toras de uma madeira comum adquirem uma fragrância maravilhosa permanecendo por anos em uma floresta de árvores de sândalo. Como seguir um professor qualificado
Embora para treinar habilmente pessoas comuns ele deva parecer e agir como eles, sua mente está perpetuamente no estado de Budeidade – totalmente além dos seres comuns. Seja o que for que ele faça, é perfeitamente adaptado para a natureza dos discípulos e suas necessidades. Ele é capaz de suportar todo mal-trato que possa aparecer em troca de sua gentileza e todos os eventos que entristecem com
paciência como uma mãe para com seu único filho.
Por isso, tenha fé constante nele, veja-o como o Buda em pessoa, perceba a perfeição em tudo que ele faz e a verdade em tudo que ele diz.
Com fervor, prostre-se diante dele e faça circumbalação no lugar aonde ele vive. Fale com ele com uma mente cheia de devoção e dedique-se a ele insaciavelmente visto que professores são muito raros e difíceis de se encontrar e ver. Como se comportar em sua presença Se ele entra na sala ou se levanta de seu assento, você também deve se levantar, a menos que você esteja doente e incapaz. Quando encontra-lo, pergunte sobre seu bem-estar e o presenteie com tudo que ele precise. Não seja barulhento, não gesticule,não franza a testa, não olhe para ele fixamente nos olhos, não conte mentiras, calunie, não se sente com arrogância em postura de lótus ou descuidado com suas pernas estiradas, não estale as juntas, use chapéu ou porte armas ou varas. Nunca pise no seu assento ou roupas, nunca use seus objetos pessoais ou seu cavalo. Se você o acompanha, não ande na sua frente – a menos que aja perigo ou você precise mostrar o caminho; não ande à sua direita, lado da honra; não ande imediatamente atrás dele, pisando
em sua sombra ou aonde ele pisou, mas ande ligeiramente atrás e à sua esquerda. Por Dzatrul Ngawang Tendzin Norbu Rinpoche sua pequena história:
Dzatrul Ngawang Tendzin Norbu da tradição Ningmapa na linhagem Mendoling é um grande e famoso professor com grandes realizações. Ele morreu há 70 anos. Ajudou muitos discípulos tibetanos, tulkus, khenpos, lamas e pessoas leigas, inclusive nos dias atuais.
Ele é um grande detentor da linhagem e um precioso e muito realizado professor.
O professor raiz de Kyabje Trulshik Rinpoche è Dzatrul Ngawang Tendzin Norbu Rinpoche.
Há muito tempo atrás, as pessoas praticavam coma a intenção de atingir a Budeidade. Hoje em dia, muitas pessoas estão estudando o Dharma Budista e praticando sem pensar na Budeidade, mas pensando em ser professor. Praticar neste caminho,
não leva ao corpo de arco-íris ou às relíquias. Quando a prática é verdadeira, a pessoa se torna mais humilde, tem pensamentos positivos e não é egoísta. A pessoa precisa seguir um bom professor. Se a pessoa não segue um bom professor, então como Mipham Rinpoche disse: “Se você tem um macaco então, você se tornará um macaco.

Meu desejo é que não é necessário se tornar um macaco. A pessoa deve pensar como o vazio da mente é muito importante para si e para mim”. Esta tradução é do Grupo de Tradução Pedmakara B. Prática do Guru Yoga Este Guru Yoga, especificamente ligado à prática da bodichita, pode ser encontrado no volume 4 de Tesouro das Instruções Espirituais (gdams ngag mdzod) reunidos por Jamgon Kongtrul Lodro Thaye. Em geral, para o veículo menor como para o mais elevado, a necessidade crucial de seguir um professor é sempre acentuada. Como diz o Sutra Gandavyuha: Por todas as inumeráveis vidas, Somos incapazes de navegar para o outro lado do oceano de sofrimento. Mesmo que tenhamos muitas qualidades, Sem um mestre espiritual,

Não podemos alcançar a liberdade da existência samsárica. Você pode ter grandes qualidades mundanas e, como um praticante do Dharma, você pode ter muitas qualidades espirituais tais como tentativas e fé consumada, mas a menos que você siga um mestre que te abençoe, a realização não poderá nascer em usa mente corrente. Se a realização não nasce, não há meios de atingir a liberação do samsara.
Por isso, você precisa seguir um autêntico mestre, um mestre que detenha a linhagem e seja realizado.
Um autêntico mestre é alguém que recebeu a transmissão da bodichita através de uma linhagem inquebrantável de Buda, como a linhagem que vem dos mestres Kadampa, os seguidores do Senhor Atisha.
Você também deve saber como servir um mestre. Você deve realmente realizar seja o que for que ele diga, através de suas ações e suas palavras e pensamentos. Rezar para ele constantemente com grande fervor, meditar sobre ele no centro de seu coração ou acima de sua cabeça. Para isso, há três partes: a preparação, a prática principal e a conclusão.
Gerar amor, compaixão e a mente fixa na iluminação como uma preparação. Então, visualize a si mesmo aparecendo vazio, como uma imagem em um espelho. Seu coração é uma massa brilhante de luz.
Para a prática principal, visualize um lótus e um disco lunar sobre o topo de sua cabeça, onde se senta o mestre a quem você tem
a mais forte devoção. Ele é do seu tamanho natural ou do tamanho de um polegar, o que você achar mais fácil para visualizar. Lembre-se de seu rosto, de suas expressões, a forma como ele sente e se move, o tom de sua voz e a sabedoria de sua mente. Veja seu mestre como indiferenciado e inseparável de todos os mestres da linhagem até o próprio Buda, de todos os professores dos quais você recebeu instruções e de todos os yidams, budas e bodisatvas. Ofereça o que você puder a ele e, com as mãos
unidas, refugie-se o máximo que você é capaz em seu corpo, palavra e mente. Lembre-se que o Guru é livre de todos os defeitos e aperfeiçoou todas as boas qualidades.
Embora ele seja, em absoluta verdade, livre de substância como o céu, ele toma a aparência no reino da forma pelo bem de todos nós. Reze para ele como segue: “Abençoe-me para que a bodichita em seus dois aspectos possa nascer em mim agora assim como, nasceu na mente dos preciosos professores da linhagem. Assim como, mora na mente sábia dos budas e bodisatvas e, assim como, é descrita nos sutras significando a última direção”.
Abençoe-me para que se eu encontrar prosperidade ou ruína, renome ou infâmia, felicidade ou sofrimento, se eu estiver doente, morrendo, transmigrando ou renascendo, eu possa realizar as duas formas de bodichita. Abençoe-me para que eu saiba como usar todas as dificuldades e obstáculos como amigos ao longo do caminho!”
Tendo feito esta oração três vezes, coloque suas mãos uma sobre a outra no mudra da equanimidade em seu colo e visualize que a abertura no topo de sua cabeça se abre largamente. O professor entra como um meteoro e descendo, volta a morar dentro do seu coração.
Então, medite sem distração, com absoluta fé e devoção, pensando que o professor é o próprio Buda. Depois de um tempo, ocorpo, a palavra e a mente do professor, fundem-se totalmente com seu corpo, palavra e mente e você se desfaz em luz.
Permaneça por um tempo neste estado radiantemente claro como o céu. Para concluir, quando você surge desse estado, visualize o professor como antes, no centro do seu coração ou sobre a sua
cabeça e dedique seus méritos passados, presentes e futuros para cumprir a intenção de sabedoria do professor e para desabrochar as duas formas de bodichita.
Há ilimitados benefícios comuns e extraordinários nesta meditação. Para mencionar alguns deles: você não será prejudicado por seres humanos, nem não-humanos; você atingirá toas as perfeições mundanas e supramundanas e você realizará todas as instruções e ensinamentos.
As duas partes desta meditação realizará a transferência de consciência em grande luminosidade e, assim serve como instrução essencial necessária na hora da morte. Se você persevera com esta meditação, você realizara qualquer realização espiritual que aspire. Não há necessidade de procurar por qualquer outra meditação além desta. Za Rinpoche Chilbupa disse sobre essa meditação: “

Se eu tirar meu coração de meu peito, eu tenho um só para mostrar; igualmente esta prática é a única quintessência”. Isto foi escrito pelas próprias palavras dos professores. Foi transmitido por Buda para o sublime Maitreya e dele sucessivamente para Asanga, Vasubhandu, o mais velho Kusulu, o mais novo Kusulu, Serlingpa, Senhor Atisha, Drom Tonpa, Potowa, Sharawa, Chekawa, Chilbupa, Lopon Lha, Lhading Pon, Dharma Siddha, Gyaton Changchup Gyaltsen, Khenpo Shonnu Changchup, Rinchen Jungne Pal Sangpo (1187-1254), Buda Ratna (Sangye Rinchen), Kirti Shila (Trakpa Tsultrim), Jaya Bhadra (Gyalwa Sangpo) ePunye Ratna (Sonam Rinchen, 1214-1286). Que possa ser auspicioso! Esta tradução foi feita pelo Grupo de tradução Padmakara

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Conselhos de mim para mim mesmo

Patrul Rinpoche Vajrasattva, única deidade, Mestre, Tu sentas-te num trono de lótus, de luz branca de lua cheia, No desabrochar de cem pétalas, pleno de juventude. Pensa em mim, Vajrasattva, Tu que te manténs equânime dentro do universo manifestado; Isto é Mahamudra, benção do pleno vazio.

Ouve lá, oh Patrul de mau carma, Praticante da distracção.

Apanhado, entranhado e iludido pelas aparências. Estás consciente disso? Estás? Neste preciso momento, em que estás Debaixo da magia da percepção errónea Tens que ter atenção. Não te deixes levar por esta vida vazia e falsa. A tua mente devaneia Tentando levar a cabo projectos sem utilidade: É uma perda de tempo! Desiste! Pensando sobre centenas de planos que queres executar, Sem nunca ter tempo de os acabar, Só sobrecarregas a tua mente. Estás completamente distraído Por todos esses projectos, que nunca mais acabam, Mas que continuam a aparecer, como correntes de água. Não sejas tolo, ao menos por uma vez: Senta-te, simplesmente. Ouvindo os ensinamentos, e tu já ouviste centenas deles,

Há eras que tu estás Mas não tendo atingido o sentido profundo de nenhum deles, Qual é o sentido de ouvir mais? Reflectindo sobre os ensinamentos, mesmo tendo-os escutado, Se eles não te vêm à mente quando são precisos, Qual o sentido de mais reflexão? Nenhum. Meditando sobre o ensinamento, Se a tua prática de meditação ainda não curou Os estados obscuros da mente: Esquece-a! Já somaste quantos mantras fizeste Sem ter conseguido a visualização do kyerim? Podes ter conseguido as formas de deidades belas e claras Mas não estás a pôr fim ao sujeito e ao objecto. Podes catalogar o que aparece como sendo espíritos maus e fantasmas, Mas não estás a treinar o fluxo da tua própria mente. Sobre as tuas óptimas quatro sessões de prática de sadhana, Tão meticulosamente arranjadas: Esquece-as! Quando estás com boa disposição, A tua prática parece ter imensa claridade; Mas não te podes relaxar nela. Quando estás deprimido, A tua prática é bastante estável, Mas não tem qualquer brilho. Quanto à compreensão, Tentas forçar-te a um estado semelhante a rigpa, Como se estivesses a atirar a um alvo! Quando essas posições de yoga e práticas mantém a tua mente estável, Só à custa de a manterem estrangulada: Esquece-as! Dar altas conferências Não faz nenhum bem ao fluxo da tua mente. O caminho da razão analítica é preciso e acutilante: Mas é mais desilusão, caca imprestável. As instruções orais podem ser muito profundas,

Mas não se tu não as puseres em prática. Ler e reler os textos do dharma Só serve para ocupar a tua mente e fazer arder os olhos: Esquece-os! Bates o teu pequeno tambor damaru – ting, ting -E a tua audiência fica deliciada a ouvi-lo. Recitas palavras acerca de oferecer o teu corpo, Mas ainda estás ternamente agarrado a ele. Bates os teus pequenos cimbales -cling, cling – Sem ter o propósito último na tua mente. A todo este equipamento de prática do dharma, Que parece tão atraente: Esquece-o! Neste momento, os estudantes estão todos a estudar arduamente, Mas no fim não vão conseguir manter o ensinamento. Hoje, parecem ter apanhado a ideia, Mas, mais tarde, nem um rasto dela fica. Mesmo se um deles conseguir apreender um pouco, Raramente aplica o apreendido à sua própria conduta. A todas estas elegantes disciplinas do dharma: Esquece-as! Este ano ele realmente preocupa-se contigo, Para o ano já não será assim. A princípio parece modesto; Depois exalta-se e fica pomposo.

Quanto mais to o apaparicas e cuidas dele, Mais ele se distancia de ti. A estes queridos amigos Que mostram faces tão sorridentes ao princípio: Esquece-os! O sorriso dela parece tão cheio de alegria,

Mas quem sabe se será realmente assim? Por um momento de puro prazer, São nove meses de dor mental. Pode ser bom durante um mês, Mas, mais cedo ou mais tarde, vai haver sarilho. Às pessoas a chatearem-te, à tua mente embrulhada, À senhora tua amiga: Esquece-os! Essas reuniões, sem fim,

de conversa São só apego e aversão: É mais caca, sem utilidade. Na altura parece um entretimento maravilhoso, Mas, na realidade, só se está a espalhar histórias sobre os erros de outras pessoas.

A tua audiência parece estar a escutar polidamente, Mas depois vão ficando embaraçados por ti. Fala sem utilidade, que só te faz ficar com sede: Esquece-a! Dar lições sobre textos de meditação Sem tu próprio teres ganho Experiência pela prática, É como recitar um manual de dança E pensar que é o mesmo que, realmente, dançar. As pessoas podem escutar-te com devoção, Mas não é o mesmo que a coisa real.

Mais tarde ou mais cedo, quando as tuas próprias acções Contradisserem os ensinamentos, vais sentir-te envergonhado. Pronunciar só as palavras, Dar explicações do dharma que soam tão eloquentes:

Esquece! Quando não tens um texto a que te agarrar, anseias por ele; Quando, finalmente, o obténs,

mal olhas para ele…Mesmo que o número de páginas seja pequeno, É-te difícil arranjar tempo para as copiar todas. Mesmo que tu copiasses todos os textos de dharma que existem, Não ficarias satisfeito.

Copiar textos é uma perda de tempo (a menos que recebas pagamento por isso…) Portanto, esquece!

Hoje estão felizes; Amanhã, furiosas. Com os seus momentos altos e baixos, As pessoas nunca estão satisfeitas. Mesmo que sejam simpáticas, Podem não te acorrer quando tu necessitas delas, Desapontando-te ainda mais. A toda essa polidez, a cultivar Comportamento cortês: Esquece-a!

Trabalho mundano e religioso Pertence à esfera dos polidos. Patrul, meu amigo, não é para ti!

Nunca repararam no que acontece sempre? A um velho boi, depois de todo o trabalho de o pedir emprestado para ele prestar os seus serviços, Parece não ter restado nenhum desejo, Excepto para adormecer. Sê também assim – sem desejo. Somente dorme, come, mija e caga. Não há mais nada que se tenha que fazer nesta vida. Não te envolvas noutras coisas: Elas não são o objectivo. Mantêm um perfil comedido, Dorme. Neste triplo universo Quando tu és mais modesto que a tua companhia Deves tomar o assento mais baixo. Se acontecer que tu sejas aquele que é superior, Não fiques arrogante. Não existe nenhuma necessidade absoluta de ter amigos íntimos; Ficas melhor mantendo-te contigo mesmo.

Se não tiveres nenhuma obrigação mundana ou religiosa, Não fiques a desejar obter uma! Se deixares ir tudo, Tudo, tudo… Esse é o verdadeiro objectivo! Estes conselhos foram escritos pelo praticante Trime Lodro (Patrul Rinpoche) para o seu amigo íntimo Ahu Shri (Patrul Rinpoche), especificamente talhados para as suas capacidades.

Estes conselhos devem ser postos em prática. Mesmo que tu não saibas praticar, deixa ir tudo – é o que eu realmente quero dizer. Mesmo que não sejas capaz de ser bem sucedido na tua prática do dharma, não fiques triste nem zangado.

Possa isto ser virtuoso. Patrul Rinpoche (1808 – 1887) foi o mestre viajante de Dzogchen do Tibete Oriental do virar do século, amado pelo povo. Ficou conhecido como o vagabundo iluminado.

Tradução de Constance Wilkinson (para o inglês).

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Todos os seres são Buda,

Todos os seres são Buda, mas sua verdadeira natureza está obscurecida por impurezas. Quando essas impurezas são purificadas, seu estado de Buda natural e inato é revelado como a essência exata de Buda. A natureza da mente é indivisível, vazia, clara, inexprimível e indestrutível como o espaço. Neste momento, não há separação daquele que vê.
Existe uma única esfera que tudo envolve. Até mesmo a aparência é única e igual. Essa visão de tudo contemplado simultaneamente é insuperável. É uma experiência excepcional, sem centro e sem limites. Nessa realização – em que o que tinha que ser feito foi feito. Não há visão alguma, e nenhum desejo de ver, qualquer anseio profundo de descobrir a visão é naturalmente destruído na sua mais profunda origem.
Alcançar tal contentamento e equilíbrio é ser tocado pela luz benéfica do poderoso Manjusri. ~ Ju Mipham Rinpoche escreveu isso no 12º dia do sétimo mês, no ano do Rato de Fogo (1876). Maṅgalam (Auspicioso/Bençãos). Nunca poderemos compreender a natureza da mente através de esforço intenso, mas apenas relaxando, assim como domar um cavalo selvagem exige que nos aproximemos dele gentilmente e o tratemos com bondade, em vez de corrermos atrás dele e tentarmos usar a força. Portanto, não tente controlar a natureza da mente, apenas deixe-a como está. Para cumprir os
votos de refúgio e os princípios puros do budismo na mente interior, basta você seguir o caminho budista vivendo uma
vida simples e obterá resultados significativos. Se as pessoas acreditam em reencarnação ou carma, elas possuem um DNA de iluminação. Se as pessoas não acreditam em reencarnação ou carma, bloqueiam o DNA de iluminação. Os quatorze votos de tomada de refúgio nas Três Joias Supremas:

  1. Três votos sobre o que você deve fazer: 1.1. A partir do momento em que você toma refúgio no Buda, você deve considerar todas as imagens do Buda como verdadeiramente iluminadas. 1.2. A partir do momento em que você toma
    refúgio no Dharma, você deve respeitar todos os textos do Dharma. 1.3. A partir do momento em que você toma refúgio na Sangha, você deve respeitar as vestes ou trajes do Dharma.
  2. Três votos sobre o que você não deve fazer: 2.1. A partir do momento em que você se refugia no Buda, você não deve
    buscar refúgio em deuses mundanos, mestres e protetores externos. 2.2. A partir do momento em que você se refugia no Dharma, você não deve prejudicar nenhum ser senciente. 2.3. A partir do momento em que você se refugia na Sangha,
    você não deve se associar a visões errôneas das pessoas.
  3. Três votos agrupados por semelhança: 3.1. A partir do momento em que você toma refúgio no Buda, você deve respeitar seu Guru como Buda. 3.2. A partir do momento em que você toma refúgio no Dharma, você deve considerar as
    palavras do seu Guru como o precioso Dharma. 3.3. A partir do momento em que você toma refúgio na Sangha, você deve considerar os discípulos e seguidores do seu Guru como a verdadeira e preciosa Sangha e respeitá-los com visão
    pura.
  4. Cinco votos comuns: 4.1. Nunca difamar as Três Joias, nem mesmo para salvar sua vida, sob pressão ou sedução. 4.2. Nunca abandonar as Três Joias e buscar refúgio em outro lugar em momentos de grande dificuldade. 4.3. Oferecer nossa comida às Três Joias sempre antes de comer. 4.4. Convidar aqueles que ainda não encontraram as Três Joias a buscar refúgio e cumprir nossos próprios votos de refúgio. 4.5. Onde quer que você vá, respeitar as Três Joias com sincera devoção.
    Os benefícios de seguir os votos de refúgio: Podemos nos beneficiar se seguirmos os votos de refúgio.
  1. Benefícios temporários, conforme descrito no Sutra Surya Garbha. 1.1. Podemos evitar obstáculos externos,
    catástrofes dos elementos terra, fogo, vento e água, e a influência de demônios. 1.2. Podemos evitar obstáculos internos
    e os desequilíbrios resultantes dos elementos terra, fogo, vento e água em nosso corpo, e receber as bênçãos das Três
    Joias. 1.3. Podemos evitar obstáculos internos, como nossos pensamentos impuros que podem nos prejudicar. Em
    contrapartida, podemos controlar nossas mentes de acordo com os ensinamentos de Buda.
  2. Benefícios definitivos, conforme descrito no Sutra Prajnaparamita: Se os benefícios de tomar refúgio forem medidos
    pela forma, eles são maiores que o Universo e, eventualmente, você pode alcançar o estado de Buda. 2.1. Ao tomar refúgio
    no Buda, você pode alcançar o estado de Buda. 2.2. Ao tomar refúgio no Dharma, você pode ensinar “os três giros da Roda
    do Dharma”. 2.3. Ao tomar refúgio na Sangha, você possuirá uma mente pacífica como a dos seguidores e discípulos
    harmoniosos, como Shravakas, Pratyekabuddha e Bodhisattvas. Em breve, poderemos beneficiar incontáveis seres
    sencientes através da tomada e observância dos votos de refúgio.
    Isso vem de um comentário de Vimalamitra, detentor da linhagem Zodchen: A diferença entre a vida
    espiritual e a vida mundana, por Sua Santidade Dodrupchen Rinpoche.
    O verdadeiro significado da vida espiritual e da vida mundana reside apenas nesta vida, sendo que a vida espiritual
    tem como objetivo a prática do Dharma e a felicidade eterna. As atividades mundanas contribuem para o aumento dos cinco venenos. As práticas espirituais visam a libertação de todos os tipos de sofrimento no Samsara. As ações mundanas nos levam a vagar continuamente no ciclo do samsara. É um objetivo e uma visão muito diferente. Precisamos conhecer essas diferentes direções. Se as pessoas não sabem a diferença entre a benção da sabedoria pura do Dharma e misturam
    o samsara impuro com ideias políticas, nunca acaba o ciclo do samsara.
    É por isso que o mundo está se enchendo de crises. No entanto, sabemos que o ensinamento do Dharma é o antídoto para nossas emoções negativas. Se o Dharma for usado de forma errada, torna-se veneno, assim como um remédio pode
  3. se tornar veneno. Por isso, aprender com um mestre budista autêntico é muito importante. Em momentos felizes, não
  4. faça promessas. Em momentos difíceis, não tome decisões, se você fizer isso, elas não vão acontecer por serem sem valor.
  5. Perspectiva Budista sobre o Caráter: Eu me curvo aos mestres da sabedoria de Buda, eu retribuo sua bondade. Por
  6. menor que seja uma flor, ainda é uma oferenda a Buda. O presente, por menor que seja, ainda é um sinal de gratidão.
  7. Todos os dias da minha vida, meu bom coração é sempre a melhor igreja. Não há necessidade de ir à igreja todo domingo.
  8. Ter más intenções, egoísmo, arrogância e raiva é como estar embriagado todos os dias.
  9. Quando você está bêbado o tempo todo, comete muitos erros. Da mesma forma, ter essas intenções negativas nunca
  10. o levará ao sucesso, pois você também cometerá muitos erros, assim como quando está bêbado o tempo todo. Os
  11. ensinamentos budistas têm amor e bondade, mas se as pessoas são negativas e superficiais, sempre enfraquecem o
  12. ensinamento Budista, direta ou indiretamente, porque Buda é um grande médico e seu ensinamento (Dharma) é um
  13. grande remédio. Quando estou passando por momentos difíceis, ficando muito velho ou morrendo, não há
  14. arrependimentos, culpa ou tristeza nesses momentos; essa é a minha religião.
  15. Minha filosofia é amor e compaixão para o benefício de todos os seres sencientes. Eu desejo beneficiar e me importo
  16. com todos os seres sencientes. Para alcançar essa atitude positiva, você precisa cultivar a si mesmo. Utilize os métodos
  17. dos ensinamentos de Buda para isso. Médicos não podem transformar você em uma pessoa com uma atitude positiva.
  18. Não existe remédio para isso. Cientistas não podem criar uma máquina para transformá-lo em uma pessoa compassiva.
  19. Nem mesmo uma loja de departamentos pode lhe vender um método para adquirir uma atitude positiva.
  20. Se você quiser saber mais sobre os ensinamentos budistas, pode visitar o site: www.welcomingbuddhist.org
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O Onisciente Longchenpa

O Onisciente Longchenpa disse que a mente que está cansada desde o início dos tempos até agora, e deve relaxar em sua própria natureza. Escutar bem a antiga ciência espiritual dos ensinamentos budistas traz benefícios para a mente exausta pelo samsara. Esta prece, composta por

S.S.1 Trulshik Rinpoche quando S.S. Dilgo Khyentse Rinpoche faleceu, descreve as aspirações de alunos separados de seus mestres pela impermanência, pedindo a bênção para que, embora os olhos não vejam mais o corpo do mestre, todas as aparências se manifestem como tal forma. Da mesma maneira, aspira-se que todos os sons se manifestem como a voz do mestre e todos os pensamentos como sua mente desperta.

Que todos os seres se beneficiem desta instrução profunda e que a alegria se espalhe pelos confins do espaço. Para meditar conforme a verdade absoluta, deve-se despertar um sentimento avassalador de desejo, alimentando-o com os desejos de todos os seres para formar uma grande montanha, e então olhar diretamente para ela, percebendo que o desejo nada mais é do que pensamento sem existência independente.

Ao voltar a mente para si mesma, nota-se que ela também carece de existência inerente no passado, presente ou futuro, sendo sua natureza tão insubstancial quanto o céu. Reza-se a todos os Buddhas e dedica-se amor e compaixão a todos os seres sencientes para que fiquem bem e seguros.

A devoção budista não deve ser cega ou adotada sem questionamentos, mas deve surgir da mente interior. Os textos sagrados afirmam que um professor deve ser examinado e, se for autêntico e trouxer benefícios,

a devoção surgirá naturalmente dessa percepção. Buddha comparou o aprendizado do Dharma ao processo de queimar, cortar e esfregar o ouro para testar sua pureza, recomendando que se examinem suas palavras cuidadosamente em vez de aceitá-las apenas por respeito.

A prática séria traz bons resultados internos, mas a liberação depende de si mesmo. Shantideva mencionou que a forma humana preciosa é difícil de obter e deve ser bem utilizada para não se perder essa oportunidade única. Se alguém segue o ego, nada aprende, mas ao seguir o mestre, aprende-se tudo.

É vital respeitar o guru autêntico, pois a linhagem e as bênçãos dependem dessa conexão. Sutras afirmam que antes do lama não havia sequer o nome de Buddha, e todos os mil Buddhas deste éon atingiram a iluminação apoiando-se em um mestre. Deve-se evitar quem ensina o Dharma, mas busca o mundano ou controverso, buscando em vez disso um mestre capaz de introduzir diretamente a natureza da mente pura.

A análise do mestre é necessária inicialmente, mas se o aluno for arrogante, nada penetrará em sua mente, como água sobre uma bola de ferro. A demora em receber realizações pode estar ligada ao excesso de conceitualização lógica.

O exemplo de Sunashaktra, que serviu ao Buddha por vinte e quatro anos mas não viu qualidades nele por focar em falhas, ilustra como a visão impura impede o recebimento de bênçãos. Quem compreende o significado da vacuidade ou possui fé firme, mesmo sendo desinstruído, está próximo de se conectar aos siddhis.

Assim, após decidir, deve-se confiar na fé e na visão pura para não atrasar a prática. Chandrakirti afirmou que mesmo uma pessoa comum que sente alegria extrema, olhos marejados e arrepios ao ouvir sobre a vacuidade possui a semente do estado de Buddha e é um recipiente adequado para a verdade.

Toda a bênção e o poder da realização dependem da fé extraordinária de ver o guru como um Buddha real, sendo que o nível da realização é proporcional ao nível dessa devoção. Ver o guru como uma pessoa comum limita a conquista espiritual.

O mestre demonstra bondade ao ensinar o que adotar e o que abandonar, permitindo que pratiquemos corretamente após eras vagando no samsara. Mesmo uma prática imperfeita tem valor, e a simples consciência de virtudes, como não matar, já carrega grande mérito.

Dudjom Lingpa profetizou que nesta era degenerada as mentes estão influenciadas por demônios, onde enganadores são tidos como Lamas, rudes são louvados como eruditos e praticantes experientes são chamados de mendigos. Ele alertou que conselhos misturados com mentiras perdem a confiança e o Dharma ligado à política perde a bênção.

༈ རྫ་དཔལ་སྤྲུལ་གྱིས། །བསྐྱེད་རྫོགས་མེད་པའི་ཆོ་ག་ཐུན་བཞི་དང་། །དག་དྲན་མེད་པའི་རྔ་རོལ་འུར་ཆེམས་དང༌། །ཏིང་འཛིན་མེད་པའི་བཟླས་བརྗོད་འབུག་འབུག་འདི། ཐར་པའི་ལམ་ལ་ཕྱོགས་ཙམ་ཉེ་རེ་ཀན།

Disse Patrul Rinpoche: Rituais sem as fases de geração e completude, quatro sessões formais de prática, tambores e címbalos estrondosos sem atenção correta, recitações de mantra sem samādhi — esse murmúrio mecânico –mal chegam a apontar na direção do caminho da libertação.

Shantideva ensinou que toda alegria no mundo vem de desejar a felicidade alheia, enquanto a miséria vem de buscar o próprio prazer.

Os Buddhas trabalham pelos outros enquanto os seres infantis buscam a si mesmos. As dez virtudes de corpo, fala e mente constituem a principal disciplina budista e funcionam como um guia para a direção correta da vida. Tudo depende da intenção; se ela for boa, os caminhos serão bons.

Jetsun Milarepa cantou sobre o desejo do iogue de morrer sozinho, sem rastros. Jigme Lingpa alertou que sem diligência o praticante é como um barqueiro sem remos, e meditar sem estudo é como tentar escalar uma rocha sem braços.

O Buddha possui percepção pura, enquanto seres comuns têm percepção impura e sofrida. Por fim, recomenda-se nunca fazer promessas quando feliz nem tomar decisões quando de mau humor, para evitar complicações e escolhas erradas.

Saiba que, caso você deseje conhecer mais ensinamentos budistas, você pode visitar o site www.welcomingbudhist.org

1Embora o termo seja Sua Santidade, traduzindo do inglês His Holiness, há dois termos mais utilizados em tibetano Kyabje (སྐྱབས་རྗེ་) – senhor do refúgio – e Gong-sa (གོང་ས་) – lugar mais alto.

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OSBenefícios de se Celebrar o Grande Festival do Décimo Dia

por Sua SantidadeDudjom Rinpoche OM SVASTI Que possamos obter refúgio em todos os nossos futuros renascimentos no Udiyanna Vajradhara que tira todas as dificuldades, a simples lembrança dele causa a
concessão de muitos desejos, siddhis e bênçãos, assim como uma jóia que realiza
desejos, uma árvore que realiza desejos e um vaso precioso que realiza desejos.
Para qualquer um que observe seus feitos, crescerá dentro dele ou dela a
compreensão de um discípulo. Conforme ele em várias ocasiões demonstrou no
Décimo Dia da lua crescente durante os doze meses do ano.
Há benefícios especiais que se acumulam para nós por celebrarmos os pujas mensais
em cada um dos grandes festivais do Décimo Dia (na ordem correta). Por exemplo,
os espíritos malévolos que causam doenças serão pacificados. Nosso tempo de
vida, virtudes e riqueza aumentarão; e nossa felicidade da mente, rápida coragem
e brilho de personalidade aumentarão da mesma forma. Tanto seres humanos quanto
espíritos não humanos nos prestarão atenção como se fossem nossos serventes. O
dano e o ferimento causado pelo Senhor da Morte e pelos oito grupos de espíritos
serão mitigados. Nossos preceitos morais serão completamente purificados, e
nossa sabedoria irradiará em todas as áreas. Os perigos devido a planetas e
estrelas desfavoráveis, dias sem sorte, inimigos e ladrões não mais nos
ameaçarão; a boa fortuna e o bem-estar aumentarão por toda parte, no nosso país
e no estrangeiro. As
maldades que se devem aos espíritos da terra (sa-bdags), os Nagas, e aos seres subterrâneos ferozes não
mais nos ameaçarão; e os Protetores e Guardiães do Dharma realizarão esses
feitos dos quais estão incumbidos. O dano causadopor obstáculos, inimigos e espíritos malévolos será
aliviado; e reuniremos sob nosso poder qualquer coisa que desejarmos. As doenças
que fazem com que o corpo se debilite serão purificadas; a saúde corporal
aumentará; e obteremos qualquer objeto que contemplemos. Os períodos malfadados
entre os dias, os meses e os anos, bem como os maus augúrios de forma geral
serão abrandados; e recuperaremos completamente qualquer soberania e boa sorte
que possamos ter perdido. Os espíritos malévolos que causam doenças, tais como
os Bhutas e os oito grupos de espíritos, bem como as condições que levam à morte
inoportuna, serão igualmente pacificados. Seremos libertos dos efeitos danosos
dos maus augúrios, dos efeitos incapacitantes de mantras que prejudicam a função
do intelecto e que perturbam nossa paz mental, bem como dos espíritos elementais
evocados para nos prejudicar causando doenças ou calamidade. Na verdade, nosso
próprio corpo se tornará tal qual um diamante. Os feitos hipócritas que violam
nossos preceitos, tais como qualquer defeito ou falha dos três tipos de votos,
bem como todas as transgressões do samaya, serão purificados, e nossa mente se
tornará pura. A morte inoportuna e outros desastres acidentais não surgirão e,
imediatamente após nos irmos desta vida, renasceremos na presença do Próprio
Guru no Reino da Luz do Lótus. Além disso, pela prática da recitação das preces
em sua devida ordem, especialmente no momento de realizar o puja, nos tornaremos

como aquele que possui infinitos benefícios. Nosso mérito acumulado será
inexaurível. Que este festival de benefícios e alegrias possa sempre ser celebrado em todas as
partes, juntamente ao Dharma, na presence daqueles que desejam a liberação. Da
mesma forma, que estas alegres notícias possam ser exibidas como uma jovem e
bela donzela, atrativamente adornada com jóias e agraciada com significados
excelentes e bem explicados para cada palavra. Que possam os mensageiros de
Padma vagar por todas as partes, em todas as direções. Este texto foi composto por Jigdral Yeshe Dorje
(Sua Santidade Dudjom Rinpoche). Que possam advir a felicidade e a boa
fortuna.

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PALAVRAS PARA O OCIDENTE

Para os ocidentais, a compaixão não é autêntica porque está conectada com o orgulho. Ela acontece de cima para baixo, porque vem daqueles que são de alguma maneira considerados melhores ou superiores, e é direcionada àqueles que são, de certas formas, considerados inferiores.

Quase todos os professores ocidentais de budismo são niilistas ou eternalistas, e não reais detentores de uma linhagem budista. Às vezes, o budismo americano se parece com o comunismo, algumas vezes com a democracia, outras com o socialismo e às vezes não se parece com nada – apenas circula entre sistemas mundanos, sem nunca atravessá-los; apenas circula entre fenômenos negativos.

Dungse Thinley Norbu Rinpoche. Em Niilismo, Entrega Espiritual e a Importância da Linhagem e do Guru

Thinley Norbu Rinpoche é um proeminente professor na escola Nyingma do budismo tibetano. Filho mais velho de Sua Santidade Dudjom Rimpoche, ele é o principal detentor da linhagem Dudjom Tersar.

(TRICYCLE: a Resenha Budista. Outono (1998))

O termo “niilismo” figura de forma destacada em seu livro Navegação Branca. O que isso quer dizer pra você?

         De acordo com o meu entendimento, “niilismo” significa “não acreditar em nenhum ponto de vista espiritual”. Os niilistas acreditam apenas no que podem ver, ouvir e pensar, ou na realidade substancial de o que quer que exista temporariamente na frente deles. Por exemplo, eles acreditam apenas nesta vida e não em vidas prévias ou futuras, porque não acreditam na mente contínua, apesar de ser inevitável que a mente seja contínua. Os niilistas não aceitam crenças budistas, tais como a interdependência da realidade, ou que a realidade relativa, cuja essência é a delusão, exista apenas de acordo com os hábitos da realidade dos seres. Quando algo acontece pelo karma prévio, se os niilistas não conseguirem achar nenhuma explicação para provar porque isso aconteceu, eles pensam que é apenas coincidência.

De um ponto de vista budista, niilismo é apenas um hábito da mente. Apesar de os niilistas terem o potencial da natureza de Buda, por sua falta de crença eles não têm a capacidade ou um método para mudar seus fenômenos fragmentados para a continuidade de um nível sublime. Apesar de terem nascido com um precioso corpo humano, eles cometem o grande auto-engano de manter uma perspectiva niilista. Portanto, eles não consideram as conseqüências kármicas e se apóiam em hábitos oportunistas, tirando vantagem de circunstâncias de benefício momentâneo, ao invés de criarem bom karma que leva temporariamente à energia positiva de longa duração e, em última instância, à obtenção da budeidade totalmente iluminada.

É isso que você chama de “mente materialista”? A mente que confia apenas em seus próprios sentidos limitados?

Sim. Mas enquanto os seres possuírem mentes dualistas, é necessário acreditar em causa e efeito, de modo que se criem causas e efeitos positivos. Então, temporariamente, enquanto o karma existir – seja este karma bom ou mau – ele existe dentro do reino material e, portanto, os seres devem crer no que é material. Mas isto é diferente da idéia niilista de materialismo, que é rejeitar idéias espirituais, tais como a natureza de Buda, a continuidade da mente além da vida do corpo, e o karma, e apenas acreditar no que pode ser percebido por seus próprios sentidos limitados. Os niilistas acreditam apenas em respostas materiais, não em idéias imateriais das quais qualidades espirituais materiais e imateriais podem ser criadas.

Nós temos que acreditar no Buda e em que cada tipo de ser senciente, mesmo um animal, tem mente. Mesmo que não se possa tocar a mente, mesmo que você não possa vê-la, mesmo que você não possa mostrar o que ela é, é óbvio que, se não houvesse mente, não poderia haver fenômenos mesmo nesta vida.

Qual é o papel do guru no processo de transformação do niilismo para o reconhecimento da virtude espiritual?

O guru nos apresenta a nossa própria natureza de Buda. Acreditar com fé e devoção em seu nobre guru ou professor pode apresentar nossa própria mente à sua própria natureza de Buda. Então, essa semente pode desabrochar por meio de preces e prática.

Prece para o que ou pra quem?

Para as “Três Jóias”, ou para seu próprio guia para a iluminação, que é o representante das três jóias, para que sua própria natureza de Buda se abra. Você tem de ter fé objetiva para que a natureza de Buda subjetiva seja revelada. Mesmo se uma circunstância-raiz como uma semente existe, para que seu potencial ganhe vida, é necessário depender das circunstâncias colaboradoras, ou seja, fertilizante, calor, água e luz. Dependendo das circunstâncias colaboradoras, tais como escutar os ensinamentos do Buda e orar para as Três Jóias, a circunstância-raiz da natureza de Buda é revelada. Uma vez que a mente é contínua, é melhor escolher bons hábitos, que criem circunstâncias colaboradoras positivas, do que os maus hábitos. Isso é o que significa “praticar”.

É possível você abrir mão da crença em sua própria mente limitada sem a ajuda do guru?

Se a mente dualista existe, como podemos abrir mão dela? A não ser que se pratique e medite com um guia para a iluminação de maneira apropriada, não há método para se abrir mão dela. Como se pode abrir mão da própria mente limitada por si só? Abrir mão da mente dualista não é como jogar o lixo fora, ou tão fácil como dizê-lo dos próprios lábios. Mesmo que você o diga dos próprios lábios, visto que já está lá, sua mente apegada não vai abrir mão… A mente dualista existe há incontáveis vidas, e os seres obviamente não têm tido nenhum poder de abrir mão dela. É por isso que a mente apegada existe e continuamente causa sofrimento. O guru abriu mão dela como um objeto positivo, mas normalmente não se consegue a libertação porque se criam incontáveis fenômenos negativos são criados, os quais não têm chance de serem mudados para fenômenos positivos. Logicamente, sem ser apresentada à sua própria natureza de Buda por professores sublimes e contando com sua liderança, a natureza de Buda não pode florescer.

      Muitos ocidentais perguntam por que é necessário depender de um guia e acumular mérito para a iluminação, já que a própria mente possui a natureza de Buda. Eles pensam que podem reconhecer sua natureza de Buda por si mesmos e não precisam confiar em um guru ou professor, mas isto é uma má interpretação. Eles não percebem que permanecem continuamente na ignorância e que esta idéia os manterá fechados no embotamento da escuridão, ao invés de deixá-los abertos para a luz.

Esta resistência a se entregar é particular aos nossos tempos modernos e científicos?

      Algumas pessoas modernas têm essa relutância e resistência. Ainda que elas não se rendam espiritualmente, se entregam aos seus próprios pontos de vista errôneos, que evitam sua iluminação e interferem até mesmo com a energia positiva desta vida. Como todos sabem, a ciência não é sempre positiva. Quantas vidas foram perdidas por armas nucleares, e quanta energia foi desperdiçada que poderia ter sido direcionada para o desenvolvimento de países, ao invés de sua destruição? É desnecessário acreditar em desenvolvimento apenas de uma maneira científica. É também desnecessário ser contra a idéia de um caminho espiritual, porque aqueles que seguem um caminho espiritual e desenvolvem qualidades espirituais podem ajudar a criar paz no mundo. A entrega espiritual é benéfica tanto materialmente quanto imaterialmente, nos níveis temporário e absoluto. Existe uma diferença muito grande entre o benefício de se entregar apenas para um ponto de vista reverso e se entregar a seres sublimes. É um erro pensar, como algumas pessoas, que há mais liberdade se elas se entregarem apenas a um ponto de vista não espiritual por suas vidas inteiras. Isto apenas as torna cada vez mais limitadas, porque não há um método para alcançar uma liberdade verdadeira. Se alguém se entrega em um nível espiritual como em tempos antigos, isto sempre o liberta de ser limitado.

   Hoje em dia no Ocidente, apesar de terem boas intenções, o conselho principal dos pais para as crianças é: “Você deve ser forte. Você deve ter auto-estima. Você não deve perder o controle de si mesmo. Você deve se apoiar em seus próprios pés. Não dependa dos outros”. Mesmo em um nível mundano, as pessoas naturalmente se entregam a outras, apesar de poderem se enxergar como auto-suficientes. Se alguém pensa que não depende dos outros, ele é como uma pessoa doente, pensando que não deve ir a um médico porque ele pode se curar com veneno, ou como uma pessoa pobre que diz não ter que depender das pessoas mais ricas, mesmo estando com a carteira vazia. Os professores de escola ensinam que ser forte significa não depender dos outros, ser independente. Esses ensinamentos são niilistas, que criam o hábito do medo da entrega espiritual ao Buda ou ao professor pelo medo de perder a si mesmo para Deus, para o Buda, para o professor ou para qualquer outro ser sublime – mas qual “si mesmo“? As pessoas modernas estão com medo de perder seus egos ordinários. O que mais eles têm a perder além disso? Quando eles se referem a certos livros e dizem, “Veja, nós temos nossa própria natureza de Buda; então, não precisamos depender de ninguém mais”, isto não é prova de sua realização. Isto é medo niilista. Depender de alguém os faz pensar que estão perdendo sua identidade, que é apenas seu ego ordinário. Mas o problema de se preservar o ego ordinário é que isto faz as pessoas sentirem cada vez mais medo e frustração. Por não acreditarem em nada, eles não tem nenhum método para purificar seu medo e frustração. Por isso que é tão perigoso cometer esse erro de interpretação de que nada precisa ser feito para se reconhecer a natureza de Buda, já que isso mantém as pessoas na posição de não saberem como se libertar do sofrimento pelo desenvolvimento de meios hábeis, de métodos espirituais que encorajem esse reconhecimento.

Muitas pessoas no Ocidente hoje defendem que se deve contar mais com a sabedoria coletiva da sangha, diminuindo, assim, o papel do professor.

      Os ocidentais sempre gostam de criar algo novo, seja isto benéfico ou não. Dúvida e cinismo são hábitos niilistas profundos. Algumas pessoas são rapidamente atraídas por esse tipo de idéia, vinda de seu hábito de se revoltar. Essas pessoas têm uma idéia distorcida de liberdade, assim como algumas pessoas que sempre pensam que o governo as está oprimindo. Eles se sentem mais à vontade estando com amigos normais, casuais, namorados ou namoradas, em vez de ter que respeitar e venerar um professor. Mas isto não tem nada a ver com um nível espiritual puro, incluindo a intenção de abrir mão do ego para atingir a iluminação. Na verdade, quem quer que tenha esse hábito de resistência ou de luta pelo poder se esquece que uma namorada pode se revoltar contra o namorado ou um namorado pode se revoltar contra sua namorada. Mesmo os membros de uma sangha que tentem depender se sua não-sabedoria coletiva podem se sentir desconfortáveis entre eles, direta ou indiretamente por causa de seus próprios hábitos de reações negativas aos outros e pelo hábito de se oporem aos outros. Se eles reagem negativamente aos professores, por terem lido e ouvido que devem sempre respeitá-los, é claro que eles terão negatividade coletiva entre eles sobre as mesmas questões de poder, ego e rebelião. Apesar de se transformarem em uma sangha, isto não significa que suas reações negativas aos outros terminaram.

Como todos sabem pelos noticiários, às vezes uma namorada ou esposa mata seu namorado ou marido, ou um namorado ou marido mata sua namorada ou esposa. Quem quer que tenha o hábito da reação negativa, da oposição, da paranóia e do medo não será capaz de deixá-lo voltando-se contra os professores, mesmo se falarem sobre a sabedoria coletiva da sangha. Por causa de seus egos auto-justificados, essas pessoas não querem respeitar professores e gurus. Essa atitude é apoiada por uma sociedade que as ensinou a não respeitar os outros acima deles, mas eles devem saber que isso é um sinal de seu medo. Seu medo de se perderem por respeitar e venerar um professor significa que eles não possuem um nível forte de consciência espiritual.

Isto seria uma ausência de fé?

Os ocidentais preferem a compaixão à fé. A compaixão ocidental soa muito bem, mas na verdade ela tem um sabor negativo, se você analisar cuidadosa e profundamente. Para os ocidentais, a compaixão não é autêntica, pois está conectada com o orgulho. É de cima para baixo, pois vem daqueles que são, de alguma forma, considerados melhores ou superiores, e se dirige àqueles que são, de alguma forma, considerados inferiores. Por isso é confortável para eles. É também por causa do orgulho que a fé não é possível para eles, já que “fé” significa se entregar ao que é superior. Na tradição budista verdadeira, a fé no Buda está sempre associada à compaixão pelos seres sencientes, e a compaixão está sempre associada à fé, porque, onde há fé verdadeira, a compaixão surge automaticamente por todos os seres sencientes que não têm fé no Buda e que, por isso, estão sofrendo. Muitas pessoas querem saber sobre o budismo, mas não estão interessadas na fé, porque não querem se entregar a nada. Já que elas pensam que a sangha é como um grupo de amigos, então não é necessário respeitá-los, e isso os faz sentir seguros. Esta concepção vem originalmente de algum tipo de idéia moderna democrática superficial de direitos iguais, baseada em um ponto de vista niilista, não em sabedoria. As idéias espirituais são totalmente diferentes das idéias políticas mundanas, mas eles tentam colocar essas idéias políticas mundanas nas idéias espirituais, sem considerar o puro dharma. Essas idéias democráticas devem supostamente ser mantidas como idéias políticas mundanas, e não serem mal usadas, como se fossem espirituais. Tubo bem acreditar em idéias democráticas, mas por que contrariar as idéias budistas, incluindo o direito de ser um professor e o direito de acreditar em professores? Por que estas pessoas estão tentando evitar a crença em professores? De fato, a democracia tem a idéia de direitos individuais; então, o que há de errado em que os budistas tenham direitos? A crença religiosa é uma escolha feita pelo indivíduo, e não uma decisão a ser tomada por pessoas que se auto-denominam uma “sangha”. Estas pessoas não têm o direito de menosprezar o papel do professor, e eles não podem menosprezá-lo, porque a qualidade da espiritualidade que o professor incorpora é inconcebível, e não é como as materializações concebidas por aqueles em uma sangha niilista. Suas idéias são, na verdade, não democráticas, mas poderiam ser apenas a tradição de algum outro estranho domínio. Se o propósito da política é lidar com as necessidades do povo, por que eles estão tentando excluir o budismo daquilo que as pessoas necessitam?

      A tradição budista verdadeira é para beneficiar os seres. Essas pessoas não podem beneficiar os outros, porque elas não têm a linhagem positiva pura do dharma, devido à sua tentativa de ajuste das idéias espirituais para acomodar essas idéias de liberdade mundana com um ponto de vista niilista. Mesmo que eles possam tentar fazer suas idéias soar atraentes para pessoas não religiosas, seduzindo-as para a promoção de seu próprio grupo ou para evitar o respeito por professores, esse tipo de visão causará a desgraça para os ocidentais. As tradições do budismo são baseadas em se ter fé e reverência, mas esta nova idéia de depender da sabedoria coletiva da sangha encoraja o oposto. Por “linhagem”, eu não quero dizer uma linhagem de pele que pertença a uma raça particular, mas uma linhagem de sabedoria que é transmitida de professor para aluno e dos alunos para seus alunos por muitas gerações, para que eles se tornem professores e beneficiem os seres. É impossível para qualquer um possuir uma linhagem de sublime sabedoria, se eles cortarem seus guias para a iluminação diminuindo o papel do professor, porque os professores são os representantes do Buda, que aí estão para nos ensinar. Quaisquer concordâncias que eles possam ter com o fenômeno do aluno, os professores estão ensinando o caminho da iluminação e, seja o que for que os alunos aprendam, deve ser ensinado por professores. É importante que as pessoas não se confundam com o mau uso dos termos budistas, os quais estão sempre associados com a sabedoria. “Sabedoria” é o oposto de “concepção ordinária”. É a mente sublime. Existem muitos significados para sangha, mas para simplificar, é a intenção da mente que a virtude prospere pelas duas acumulações, de mérito e sabedoria. O mérito é criado pela virtude, e a sabedoria floresce com a realização. Estas duas acumulações vêm do dharma. O dharma vem da fala de Buda. O representante do Buda é o professor. Então, dizer que o papel do professor deveria ser depreciado, menosprezado e diminuído é assustador. Todas as religiões tentam aumentar as bênçãos de sabedoria, não diminuí-las. Sem fé e a crença nas três jóias, seguindo a palavra de Buda, orando para os Budas, ou ouvindo aos ensinamentos de professores que representam o Buda, como se pode realizar a sabedoria? Como disse o Buda Sakyamuni, “para homens que não têm fé, é impossível ter o puro dharma; é como plantar uma semente queimada em um campo e esperar que um broto verde apareça”. Com uma mente niilista e um aspecto de sangha, ao invés de se beneficiar a todos os seres seguindo os ensinamentos de Buda, essas pessoas estão bloqueando ameaçadoramente o caminho para a iluminação para as novas gerações com suas palavras enganosas. Com certeza, de acordo com as idéias americanas de liberdade, tudo é permitido, incluindo liberdade religiosa, mas eles podem inventar algo por si próprios sem estarem ligados à tradição budista. Por que é necessário pegar emprestado o nome da sangha das palavras budistas?

Houve experiências negativas com professores de todas as tradições budistas, e elas criaram dúvida e cinismo.

      Dúvida e cinismo são hábitos profundamente niilistas. Eles não são sinais maravilhosos. Sem dúvida, muitas vezes eu ouvi histórias sobre ocidentais que se viraram contra seus professores e os descartaram, mesmo já tendo tomado refúgio neles até atingir a iluminação, como se eles tivessem espremido alguma pasta de dente e, depois, jogado o tubo fora. Eles são tolos de pensar que já acabaram de usar o professor e que, então, podem desdizer o que diziam acreditar, porque as qualidades espirituais de um professor de sabedoria não são como pasta de dente e não terminam.

      É verdade que há dúvida e cinismo devido a experiências negativas, mas isso não significa que essas experiências negativas venham de um professor ou que o professor seja um falso professor. Todo aquele que olhar para um professor de sabedoria com dúvida e cinismo pela distorção de sua própria negatividade pessoal é um niilista e não tem uma visão espiritual. De acordo com a tradição budista, deve-se examinar a si mesmo sobre o que quer que se veja para purificar a concepção negativa e aumentar os fenômenos positivos e, assim, atingir a iluminação. Não importa o que apareça na mente, deve-se olhar para ela e praticar para diminuir a própria negatividade, ao invés de tentar diminuir o papel do professor. Isto é espiritual. Qualquer que seja a causa fora de si mesmos é apenas uma reflexão de suas próprias mentes. Estes ocidentais pensam que tudo que é negativo ou positivo só é causado fora de si mesmos. Eles materializam e externalizam suas experiências, sem nunca entender a conexão entre os fenômenos externos e internos ou os fenômenos interdependentes, buscando explicações apenas a partir dos objetos, baseadas em hábitos extremamente niilistas, e não na experiência subjetiva de suas próprias mentes.

      É por isso que há um problema para os ocidentais que seguem a tradição budista verdadeira. Porque os ocidentais estão sempre ocupados com o hábito da extroversão, eles pensam que as qualidades espirituais devem ser mostradas obviamente e podem aparecer apenas em aspectos particulares que caibam em suas pré-concepções. Então, tudo é mal interpretado por falta de introspecção e meditação, e eles não vêem o professor como puro ou o dharma como puro devido às projeções de seu próprio hábito impuro. Esta perspectiva que distorce a si mesma dificulta que eles aumentem suas qualidades espirituais pelo desenvolvimento de fenômenos puros, os quais podem levar à real sabedoria.

Algumas pessoas sugeriram que o impulso de criar um budismo ocidental é inspirado por um sentimento de que as coisas no mundo estão se despedaçando tão rápido que o budismo em qualquer formato é melhor que nenhum budismo.

      Isto é só uma desculpa. Se não há respeito pelo Buda ou pelos professores, mesmo se as pessoas se auto-denominarem budistas, elas serão não-budistas. Ao invés de usar mal o budismo, seria muito mais simples que elas apenas trabalhassem para melhorar o mundo, o meio ambiente, ou a sociedade, se elas querem fazer algo a respeito. Elas não necessitam rotular suas próprias idéias como budismo ocidental ou culpar o budismo. De novo, há racismo.

Racismo?

      Sim, porque os ocidentais pensam que o budismo vem do oriente, e eles não querem ter que depender do oriente para o budismo. Mas a idéia de que nós não precisamos do oriente é racista e paternalista. Já que estes ocidentais estão ansiosos para inventar um budismo ocidental especial, eles devem pensar que é para o benefício dos seres sencientes ocidentais, mas o budismo é para todos os seres sencientes.

Você está usando racismo como um tipo de imperialismo cultural?

      O ocidente não terá uma linhagem budista pura se os ocidentais não respeitarem os seres sublimes ou não acreditarem nos professores. Alguns ocidentais que não entenderam o budismo profundamente ou não fizeram uma conexão com a energia espiritual profunda das bênçãos da linhagem o rejeitaram por frustração. Então eles disseram que o budismo não liberta, fazendo este ponto de vista negativo soar complementar para as pessoas niilistas. E então, elas podem ser influenciadas por isso, o que cria o problema: “Como os professores budistas puros podem florescer no ocidente nas gerações futuras?”.

      Se a linhagem é quebrada, há uma sangha falsa, e não há linhagem que possa ser transmitida. Se os americanos criam algo novo chamado budismo americano sem considerar os outros seres sencientes, então aquilo significa que o budismo americano não é budismo Mahayana porque não considerou todos os outros seres sencientes. Além disso, não está na tradição Hinayana, que é disciplinar o próprio ego, porque tem o sabor de construir um ego samsárico mais auto-suficiente, por enfatizar o eu e aqueles que são semelhantes a si mesmo, significando que há algo errado com os outros. Isto significa que não há fenômeno puro para com os outros, o que significa que não há nem um sopro de Vajrayana. Como eles podem tentar ensinar aos outros e ensinar a todos os seres imparcialmente se eles já usaram este nome? De fato, eu não posso entender a idéia de budismo americano de jeito algum. Às vezes se parece com comunismo, às vezes com democracia, às vezes com socialismo, e algumas vezes não se parece com nada, apenas circulando entre sistemas mundanos, nunca cortando através deles mas apenas circulando entre fenômenos negativos. Se os seres de outro país onde não há budismo precisam descobrir as idéias do budismo, e se estes seres pensam de uma maneira ingênua que os americanos têm o budismo americano e tentam estudar com eles, a pior coisa será que eles não terão nenhuma linhagem budista.

Você fala de fé e devoção e a confiança em professores sublimes, mas quando nós lemos os textos sobre professores sublimes, muito poucos professores parecem se encaixar na descrição de professores sublimes.

    Eu não posso dizer se eles são ou não professores sublimes, porque eu não sou um professor sublime. Outro problema é que quase todos os professores ocidentais de budismo são niilistas ou eternalistas, e não detentores reais da linhagem budista. Mesmo se aqueles professores sublimes prévios não aparecem na sua frente, porque eles apareceram no passado, você pode ler e entender sua fala, apesar de você não vê-los pela falta de seu bom karma. Mas se estes professores sublimes prévios aparecessem na sua frente hoje, você os veria da mesma maneira que vê os professores destes dias, que é negativa. Além disso, você não pode dizer que os professores sublimes são diferentes dos professores de hoje. Quando os professores sublimes prévios se manifestaram no passado, você tem certeza de que você esteve com eles, a ponto de se lembrar de todas as suas qualidades? Você não pode julgar as qualidades espirituais intangíveis de um professor materializando-as, incluindo as qualidades dos seres sublimes do passado.

Se muitos professores no ocidente estão ensinando a partir de um ponto de vista niilista, e se nós devemos desenvolver um dharma puro, como você descreve, nós deveríamos continuar tratando estes professores niilistas como se fossem seres sublimes para que a linhagem de devoção e fé seja mantida?

      Se você faz isso com o ponto de vista correto, então estes professores niilistas são transformados em seres sublimes, e não haverá professores niilistas. Às vezes, bons alunos tratam seus próprios professores como se fossem sublimes, apesar de suas qualidades sublimes não serem óbvias para o julgamento objetivo ordinário. Isto acontece quando o aluno tem fé e crença. Mas a melhor coisa é não materializar sobre professores e usar o próprio insight e introspecção para criar fenômenos puros. Eu espero que cada aluno, lembrando o que aprenderam de seus próprios professores, e mantendo sua bondade em mente, tenha fé inabalável e não seja afetado pela malícia incivilizada dessas pessoas com um ponto de vista reverso. Então, quando eles um dia se tornarem professores, como uma conseqüência de bom karma e compaixão, eles poderão ter lealdade, nobreza, devoção profunda e fé, e alunospuros, para atingir a budeidade totalmente iluminada.

Tricycle: a revista budista. Outono de 1988.

Thinley Norbu Rimpoche é um proeminente professor da linhagem Nyingma do Budismo Tibetano. Seus livros incluem A Pequena Chave Dourada, Dança mágica (que a Shambala reeditará neste outono), Vela Branca, publicado pela Shambala em 1992, Uma cachoeira de néctar (um comentário do Ngondro publicado por Shambala em 2006) e Uma flor de boas vindas. Hoje em dia, eles se dividem entre os Estados Unidos e o Nepal durante o ano. Este material evoluiu de uma entrevista conduzida por Tricycle com Thinley Norbu Rimpoche no outono de 1995.

Umas poucas palavras do Lama Osel

Se você é sério sobre a prática budista, você vai pensar com cuidado sobre o que disse o Rimpoche neste ensinamento. Agora mesmo existe uma grande variedade de professores budistas. A maioria dos professores agora ensina sem a permissão de sua linhagem. Por causa disso, eles se tornaram professores “ilegais”.

Com tais professores, não se pode atingir a iluminação, pois seus ensinamentos não possuem o poder e as bênçãos da linhagem. Existem dois tipos maiores de falsos pretensos.

O primeiro são alguns tibetanos que estão vindo para os países ocidentais e reivindicando ser a reencarnação de um grande mestre, não tendo sido reconhecidos por grandes Lamas. Eles só são reconhecidos por si mesmos. (Dizem que) Não há necessidade pra isso, assim como grandes professores como Patrul Rimpoche e Nagarjuna, que trouxeram grande benefício para os seres sencientes, mas não foram reconhecidos como “lamas encarnados”.

O segundo são os ocidentais que viajam para a Índia, Nepal, Tibete e outros países budistas, passam alguns meses lá e, ao retornarem, alegam ser professores budistas genuínos. Apesar de nunca terem recebido ensinamentos, clamam ser alunos de um “sublime lama” após um encontro incidental, como em um aeroporto. Nesses países existem cães que vivem nos mosteiros por muitos anos, e eu pergunto a você, “eles são considerados professores budistas?”. A falsa representação dos ensinamentos desta maneira é como servir a cauda de um iaque como se fosse carne de macaco para fazer as pessoas acreditarem que a carne de iaque está a venda.

O fato de ter uma foto tirada com o Dalai Lama ou outro alto Lama não faz de alguém um algo professor ou Lama, assim como uma foto de um animal junto com o Dalai Lama não faz do animal um grande professor. Para se tornar um alto lama, a pessoa deve se tornar realizada, e isso automaticamente faz de você um alto professor.

Este é meu pedido para todos: por favor, não se tornem estúpidos. Viajem na direção correta para se tornarem iluminados. Isto é o mais importante para você e para os outros seres.

A razão de eu compartilhar esta doutrina budista com você é para sua própria proteção e a dos outros.

Meu nome é Osel Gyurme.

20 de março de 2008.

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Conselho para praticantes Nyingma

(falado no Festival da Grande Oração Nyingma em 2000)

por Kbyje Chatral Rinpoche

Desde que sou o mais velho dos lamas Nyingma, me pedem para dividir alguns humildes pensamentos e opiniões com todos aqueles que se reuniram aqui este ano, neste local sagrado de Bodhgaya, India por ocasião do 11° Festival anual da Grande Oração da Primeira escola de tradução. Portanto, eu falarei algumas palavras de conselho para expressar meu ponto de vista e espero que todos escutem bem.

Antes de tudo, me alegro muito que pela bondade de muitos benfeitores e voluntários, o Festival da Grande Oração Nyingma pode acontecer por muitos anos e eu mesmo – um velho homem – pude participar nos primeiros três anos.

Agora, visto que todos nós somos seguidores de Buda, deveríamos saber que carne e álcool são muito ruins. Esta é uma das principais coisas que nós deveríamos abandonar. O fato é que todos concordam que nos absteremos de carne e álcool (durante o Festival da Grande Oração) e perceberemos que simplemente não há necessidade que nós peguemos essas coisas como resultado da compaixao de Buda.

Alguns de vocês tem muitas responsabilidades e coisas para cuidar – por exemplo, cuidar se sua esposa ou filhos – e na realidade, são portanto, incapazes de realizar grandes atos para o benefício dos Ensinamentos de Buda.

Como a excelente tradição do Festival da Grande Oração Nyingma foi estabelecida em geral para restaurar, preservar e expandir os ensinamentos do Senhor Buda e, em particular, aqueles da luminosa tradição Vajrayana da Primeira Escola de Tradução que é dotada com as seis especiais grandezas, não deve-se misturar Dharma com negócios mundanos porque este Festival foi estabelecido unicamente com o propósito do Dharma. Portanto, se permitirmos misturar os dois, é como colocar fogo e água no mesmo vaso. Se o fogo é muito forte, a água secará. Se a água predomina, o fogo morrerá. Então não se metam com políticas.

Acima de tudo, o que precisamos para desenvolver a Bodichita? Todos os seres dos seis reinos – não passaram pelo bardo e reencarnaram muitas vezes – em algum ponto como nossa mãe ou pai? Seguindo repetidas vezes o caminho Mahayana ensinado por Buda, todo sofrimento temporário e sutil e grosseiro será modificado para todos. Os benefícios temporários e finais de felicidade e bondade crescerão mais e mais.

Hoje em dia, vivemos em um tempo das 5 degenerações, também chamadas as “cinco insurmountables”. Neste tempo selvagem e indisciplinado, por causa de tantas coisas como a proliferação de muitos tipos de más armas e a propagação de diferentes tipos de drogas venenosas tais como tabaco, os ensinamentos do Buda estão sendo jogados como uma geada inoportuna. De todos os ângulos a explicação e prática destes preciosos ensinamentos têm muitos obstáculos. As condições favoráveis são poucas. É como um lago que perdeu sua água para a seca ou uma lamparina de manteiga que ficou sem óleo. 

Todo sabem e entendem que deve ser assim. Então, concentrar-se em restaurar estes ensinamentos é o motivo para estarmos aqui “contribuindo com a paz mundial”. Além disso, vocês não podem simplesmente pegar “paz” em um país e exportar para outro. Cada país ou estado tem uma pessoa como líder daquele estado ou país. Diferentes tipos de forças obscuras transformaram as mentes de todas estas pessoas e eles vêem seus vizinhos com preconceito, o pequeno vê o grande com inveja, o grande trata o pequeno com desprezo e aqueles de igual tamanho se vêem como competidores. Por causa de tal preconceito, eles se envolvem em todo tipo de guerras. Mesmo se o país que vivemos hoje tem paz, em cada país eventualmente uma guerra será feita.

Estes conflitos são tão numerosos como a grama que cresce em um prado no verão ou as estrelas brilhantes que aparecem a noite quando o sol se põe. Isto é algo tangível que podemos ver com nossos próprios olhos. Então, é para pacificar estas hostilidades que recitamos orações de aspiração.

Estas orações que estamos usando neste Festival são Recitando os Nomes de Manjushri – que é a quintessência de ambos os sutras e tantras – e O Rei de Todas as Aspirações, que é a oração principal de acordo com os sutras. Estes ensinamentos têm o completo significado de ambos sutra e tantra neles. Junto com eles, nós também recitamos O Tesouro de Bençãos, a Sadana do Buda e conclui cada dia com uma oração, para que os ensinamentos da Tradição Nyingma possam florescer, chamada As Palavras que Alegram o Rei do Dharma (1846-1912). Estas são orações que todos nós podemos incluir em nossas práticas diárias. Se isso não for possível, devemos, no mínimo, não deixar de fazê-las no décimo e vigésimo quinto dia do mês lunar.

Seria errado dizer, como alguns fazem, que se nós não recitamos as orações estando conscientes de seus significados e simplesmente repetimos as palavras sem cuidados, não há absolutamente nenhum benefício –  como bandeiras de orações agitando ao vento. Contudo, realmente há diferenças no nível de benefícios e bençãos derivadas das orações de acordo com a maneira que as recita. Por isso, mantenha isto em mente, no início da prática gera a bodichita. Durante a prática principal alguns usarão um objeto de concentração; cada pessoa deve fazer o melhor de acordo com seu nível. Ao final, um pode dedicar o mérito de uma forma que é pura das três esferas conceituais para a melhor das habilidades. A coisa mais importante e essencial é fazer este Festival da Grande Oração significativo; é confiar nestes três estágios da prática-geração da bodichita, a prática principal e a dedicação de mérito. Todos devem fazer os três estágios completos da prática.

Especialmente porque seguimos os ensinamentos da Primeira Escola de Tradução Nyingma, a área da visão, conduta não pode ser perdida na área de conduta, a visão não pode ser perdida.

Como Guru Rinpoche disse:

Na direção da visão, se a conduta for perdida, a visão vai para o estado manchado de Mara. Na direção da conduta, se a visão é perdida, ser enredado pelas esperanças e medos do materialismo e ideologia, a real liberação nunca chegará e não há chance de você poder alcançar o nível de estado unificado.

Isto precisa ser entendido. Lamas, tulkus e khenpos precisam estudar muitos textos e saber e entender isso, então não há necessidade de lembrá-los mais.

Estes dias em nossa tradição Nyingma, centros de ensino filosóficos e centros de retiros estão se espalhando por todos os lugares. O que tenho a dizer até agora não é diferente do que os professores explicam nestes centros e o que os estudantes escutam. Como um resultado de nosso treinamento, estamos participando nesta grande reunião em Bodgaya durante o décimo segundo mês lunar, décimo oitavo dia deste mês fazendo o aniversário da passagem do todo conhecido Longchen Rabjam. Antes deste dia chegar – do primeiro ao décimo – nos esforçamos para a perfeita acumulação (de méritos e sabedoria) e purificar a ignorância.

Muitos devotos que tem fé nas Três Jóias e especialmente neste Festival da Grande Oração da Primeira Escola de Tradução do Mantrayana secreto fazem oferendas para benefício daqueles que já morreram, para aqueles que são incapazes e sem um protetor e para todos os seres vivos. Devotos companheiros que estão em uma posição de receber estas oferendas devem aceitá-las. Estas oferendas religiosas feitas somente com o propósito de ajudar o morto e o vivo não é algo que deveria ser feito às pressas. Pensando no significado destas oferendas religiosas, todos vocês devem fazer orações de dedicação e ter puras aspirações para o bem dos mortos.

Para o benefício dos vivos, nós os servimos com um ritual de oração de proteção para o bem de uma longa vida e prosperidade de acordo com seus respectivos desejos internos. Depois de consultar os astrólogos e fazer adivinhação, quando a lista de orações para recitar na Puja 72 para ajudar aquela pessoa é anunciada, tenha certeza que você executa a prática corretamente. Não será benéfico se você não recitar as orações e fizer a dedicatória nos deixando somente para aproveitar as oferendas de fé. Isto amadurecerá como uma pesada carga karmica! Precisamos decididamente pegar esta grande responsabilidade e colocar um selo na prática fazendo as orações de aspiração e dedicatória.

Se você coloca uma gota de água no oceano até o oceano secar, a gota de água não secará. Igualmente, pela virtude de colocar um selo na prática através da dedicação de méritos, os benefícios da prática não apodrecerão ou decairão até você atingir a Budeidade. É o desejo do Buda que esta virtude não seja desperdiçada, é a real essência dos impecáveis ensinamentos dos pânditas budistas. Cada um entendeu bem isto; se comprometeu nos completos três estágios da prática.

Agora entretanto, em termos de conduta, foi dito que os monges Nyingma lutam e batem em pessoas. Monges Nyingma não mantêm seus votos ou samaya. Monges Nyingma se envolvem em roubos. Quando ouvi isso, foi como espinhos furando meu coração. Nós velhos lamas nos preocupamos e nos sentimos responsáveis por isto. Ter certeza que este tipo de comportamento diminui a cada ano. Os líderes devem tomar a responsabilidade de colocar um fim nisto. Por humildade, todos os discípulos devem seguir estas lições de nós mais velhos. Jovens, ouçam isto, você devem ter domínio de seus corpos, fala e mente e ter certeza que não há nada faltando em sua disciplina.

Em um lugar sagrado e um evento especial como este quando há uma reunião de pessoas como um oceano, muitos dos grandes mestres santos estarão entre nós. Qualquer um destes grandes mestres que possa estar presente deveria dar conselho como eu estou fazendo e cada um deveria respeitar e seguir seu conselho. Se vocês fazem isso, imagine o modo com que o esplendor dos ensinamentos da Primeira escola Nyingma de tradução se desenvolverão acima e além do que são agora. Se você não faz isso e tenta passar sua responsabilidade para outros, eles serão desconsiderados e as pessoas não os ouvirão. Mesmo que alguns tenham habilidade para ensinar, eles nnão usa esta habilidade. Outras pessoas ou não sabem ou entendem muito pouco do significado dos ensinamentos e dizem coisas desnecessárias.

Existem alguns que pensam que eles não precisam explicar os pontos gerais para os outros porque eles não estão interessados ou não pode assumir grandes responsabilidades. Eu acho isto errado. Os que têm responsabilidades devem aconselhar que não tem, encorajá-los a trabalhar sua disciplina e então isto melhorará ano após ano e se tornará firme. Se você acredita em um momento no caminho da disciplina, pensando que eles continuarão firmemente neste caminho por pelo menos 100 anos, então contanto que o Dharma de Buda permaneça, haverá harmonia no monastério com boa disciplina clara e sem razão para os outros criticarem ou julgarem. Nyingmapas e todas as outras tradições religiosas têm suas próprias regras em disciplina. Cada um deve ter responsabilidade para sua própria situação. Os Nyingmapas não podem ter responsabilidades por outras tradições – isto não pode ser feito.

Cada um de nós Nyingmapas viemos de uma das três províncias, as regiões de cima, de baixo e do meio do Tibet ou nascemos em uma terra nobre da Índia, Nepal ou qualquer lugar da cadeia do Himalaia a leste de Ladakh. Existem centenas de monastérios Nyingma – grandes e pequenos – nestas áreas. Nestes monastérios, o que é conhecido e a Sangha – a comunidade monástica – deve distinguir entre o que é para a realização e o que é para ser evitado de acordo com o treinamento das 3 dobras e as Declarações do Tripitaka. Fazendo isto, a chamada “nobre Sangha” será a mesma em ambos nome e significado. Como dito: “Não há guia como o Buda. Não há protetor como o Dharma. Não há campo fértil como a Sangha. Deve-se entencer que como uma figura importante das três jóias, a Sangha precisa se comprometer seriamente nos ensinamentos do Buda e encorajar os outros a fazer o mesmo. Este é o significado de ser “os portadores dos ensinamentos”.

Além disto, mesmo que um seja um afortunado homem de negócios – não importa como bem fizeram grande fortuna – uma mansão por ela mesma não o fará portador do Buda Dharma. A natureza do vestuário de uma pessoa também não o fará um portador dos ensinamentos. Mesmo vestindo roupas de monges não o fará um portador dos ensinamentos. Na realidade mesmo se uma pessoa é um baixo mendigo, se estão em harmonia com o Dharma, eles podem ser chamados de uma grande pessoa que é um portador dos ensinamentos.

Se você não for assim, mesmo se pensar que é um portador de ensinamentos por estar em muitas posições como a ponta de uma fila ou sentado exclusivamente em um trono, é algo difícil se eles tiverem uma correção a caminho como se eles fossem ou não um portador dos ensinamentos baseado em como eles vivem.

Se alguém fala simplesmente de acordo com o Dharma, isto pode ofender alguns. Se o que eu digo é errado, por favor me perdoem. Eu confesso abertamento. Se é meu mal-entendimento. É um erro. Uma distorção. É uma falta de conhecimento. Se isto pode também ser um falso conselho de um velho homem, eu não sei. Como um velho homem dizendo estas coisas – eu estou discutindo que eu não tenho nenhuma razão para discutir e dizendo que eu não tenho nenhuma razão para dizer. Todas as pessoas cometem erros como este – não só eu.

Todos dizem que havia a necessidade de alguns conselhos para o Festival da Grande Oração este ano. Então, Kunsang Lama (assistente do Penor Rinpoche) estava mandando para mim e veio para Yangleshod. Naquele momento, eu estava ocupado convencendo alguns benfeitores em outro lugar no Vale de Kathmandu e enquanto estava com grande pressa eu vim para Yangleshod. Assim que saí do carro, espontaneamente disse este conselho e não tive tempo para consultar textos ou escrevê-lo. Mesmo assim, não há necessidade disos. Eu não espero que isto esteja na prateleira de uma biblioteca budista filosófica. Para este ano, foi sugerido lamas Nyingma mais velhos entre nós; alguém que explique como a disciplina pode ser mantida. Esta foi a opinião dos outros e eu também penso que isto é certo. Outros lamas podem não se sentir confortáveis ouvindo conselhos de alguns que são desconhecidos, por isso um que é conhecido como “lama” como eu está falando.

Lamas, tulkus e khenpos que são versados, são qualificados para dar conselhos e devem fazê-lo. Senão, aqueles que falam coisas como fofocas sem significado e dizem coisas sem sentido criação somente conflitos. Não há em absoluto, benefício em dizer coisas que somente aumentarão nosso apego, raiva e ilusão. Falando assim causará danos aos ensinamentos do Buda e não ajudará a ninguém.

Para o benefício de todos os seres, todos os praticantes dos ensinamentos da Primeira escola Nyingma vivem em monastérios grandes ou pequenos, de parte de cima, do meio ou baixa do Tibet, em uma ermida na montanha, um centro de estudo com somente quatro monges ou mesmo se você pratica sozinho; por todos os anos após anos que você se reune novamente aqui neste tempo, você deve tomar a responsabilidade de manter sua disciplina. Para o período destes dez dias, se você não tem algo bom a dizer, não há razão para falar. Você deve comportar-se de maneira que ninguém tenha razão para criticar ou fofocar sobre sua conduta e então você será um exemplo perfeito para conduzir o fiel e tornar objetos merecedores da acumulação de méritos dos benfeitores.

Eu espero e rezo para que este evento aconteça e seja muito bom para o planejamento do início, meio e fim. Então servirá para beneficiar grande parte de seres que têm os ensinamentos do Dharma. A longo prazo, isto ajudará os preciosos ensinamentos de Buda pelo caminho dos dois chakras de ensinamento e prática para nunca murchar e em vez disso expandir e florescer agora e sempre nos quatro tempos e dez direções e durar por um longo tempo.

Durante este tempo degenerado no mundo externo, existem muitos desastres naturais por causa da perturbação dos quatro elementos. Também por causa forças armadas demoníacas com suas muitas armas incitando o combate de guerras. Todas estas forças deixam tudo tremendo e causam a ruína do mundo – tão horripilante que deixam os cabelos em pé. Mesmo assim, as forças demoníacas acham isso necessário para propor novos tipos de armas. Se somos chamados para confrontá-los, não há forma de nós, praticantes do Dharma, nos defendermos deles. É por isso que fazemos orações de súplica para as três jóias, fazemos orações de aspiração, orações de oferendas e de invocação. Nós somos responsáveis por estas atividades. É isto que insisto para vocês fazerem. Por isso nesta grande reunião, por favor pensem sobre a pacificação de todas estas forças.

Já que eu não acho que há qualquer coisa desatenta ou inaceitável neste conselho, por favor ouçam atentamente e tome para si. Se você fizer isso, quando o Festival da Grande Oração terminar, vocês terão boas razões para serem felizes e serão capazes de regozijar-se no mérito que vocês têm acumulados. Então, por favor façam isso acontecer desta forma! Que vocês tenham uma longa vida! Por favor – todos vocês – façam muitas orações de aspiração que os ensinamentos preciosos do Vitorioso possam florescer nas dez direções. Isto é tudo que um velho homem como eu tem a dizer. Que vocês possam manter este conselho em suas mentes.

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Budismo Introdutório

Motivação Budista: levando felicidade e sofrimento ao longo do caminho Ho!

Se eu estou bem, estou feliz para dedicar meu bem-estar para acumular virtude:

Possa a felicidade e benção encher os céus!

Se eu sofro, estou feliz por pegar para mim o sofrimento de todos os seres:

Possa o oceano de sofrimento do Samsara ser esvaziado! 

Se eu estou doente, estou feliz por esgotar o karma negativo de muitas vidas passadas:

Possam todos os seres serem aliviados da dor!

Se eu morrer, estou feliz por morrer na natureza absoluta:

Possa a raiz do renascimento no ciclo das existências ser cortada!

Se eu viver muito, estou feliz: através das duas acumulações,

Possa ambos, meus objetivos e dos outros, serem naturalmente realizados!

Homenagem ao Guru!

Faço oferendas ao inigualável Guru, a tocha no caminho da Liberação

Visualizado sobre minha cabeça, inseparável do Vitorioso nascido do lago.

Abençoe-nos para que eu e os discípulos na minha linhagem

Possamos encontrar o excelente caminho inequívoco!

Darei a vocês um pouco de encorajamento para praticar o supremo Dharma

com empenho,

E farei isso em três passos, o primeiro deles

Diz respeito ao caminho para assistir um mestre espiritual.

1

Quem quer que aspire se libertar da masmorra da ignorância samsárica,

Deve em primeiro lugar confiar em um professor espiritual.

Para começar, você deve ser sábios para procurar um professor.

No meio, você deve cuidar dele como cuida de sua própria vida através dos três caminhos para agradá-lo,

E no fim, você deve receber sua mente de sabedoria como um vaso sendo preenchido até a borda.

Sem confiança em um professor espiritual, não haveria Budas através dos três tempos,

Sem sermos cuidadosos com ele, nunca obteremos a liberação,

Quem quer que esteja sob seu cuidado alcançará a terra do êxtase eterno.

O Guru é a fonte de um oceano de siddhis.

Portanto, seja empenhado em confiar nele de maneira correta.

2

Eu agora explicarei um pouco o básico treinamento da mente.

A cidade da liberação é como uma grande Ilha de Jóias,

O samsara dos três mundos é como um oceano ilimitado

Aquele que aspira à liberdade é como um cavalo forte,

O guia, o Guru, é como um bom capitão,

O corpo humano abençoado com liberdade e dotes é como um navio precioso.

Tendo considerado as causas, símiles e comparações numéricas,

Se você não extrair agora a essência desta vida humana,

Como você pode esperar ganhar tal liberdade novamente?

Portanto, seja empenhado em extrair a essência de suas liberdades e dotes.

3

A morte e a impermanência nos fazem sentir como uma lamparina de manteiga ao vento:

O mensageiro do Senhor da Morte é mais rápido do que um relâmpago.

Se você não montar o cavalo do empenho feroz,

Como você alcançará o lado distante do samsara?

Seja empenhado em não ter quaisquer necessidades ordinárias.

4

As infalíveis leis do kármicas de causa e efeito são similares à semeadura de sementes.

Se você falha em distinguir minuciosamente o que deve ser feito e o que deve ser evitado

Quanto às ações positivas e negativas, se grossas ou sutis,

Como você poderá colher o fruto da virtude?

Portanto, lembrando da causa e efeito, seja empenhado nas ações que você faz ou evita.

5

Os três mundos do samsara são como um continente de ogras,

Enganosamente atrativas na falsa aparência de beleza:

Se você não cortar drasticamente os nós dos apegos,

Como você alcançará a outra margem do oceano da existência?

Portanto, seja empenhado em desamarrar os desejos profundos de dentro de você.

6

A preparação para todos os Dharmas virtuosos é tomar refúgio.

Se você não assentar a fundação de todos os votos,

Você será como uma criança construindo intermináveis castelos de areia.

Como você obterá a excelente mansão eterna?

Portanto, seja empenhado em observar os preceitos do voto de refúgio, raiz de tudo.

7

O grande caminho trilhado por todos os Budas e Bodisatvas

É a mente iluminada da bondade amorosa e compaixão, ambos tanto como promessa e prática:

Se você não treina na troca ou equação de si e dos outros,

Como você abrirá o tesouro do altruísmo?

Portanto, seja empenhado em desenvolver a atitude iluminada do Grande Veículo.

8

Os grandes e fáceis meios para purificar nesta vida os atos insalubres acumulados em muitos éons

É a característica principal do Mantrayana:

Se você não aplica os pontos chave do antídoto das quatro forças,

Como você escapará da teia dos dois obscurecimentos?

Portanto, seja empenhado em praticar a recitação e meditação sobre Vajrasatva.

9

Chamamos Buda aquele que guia os três mundos da existência,

Como resultado de ter acumulado mérito e purificado a si mesmo durante muitos kalpas.

Se alguém tão obscuro quanto eu não faz o mínimo esforço,

Como ele obterá o fruto do amadurecimento e purificação?

Portanto, seja empenhado em fazer oferendas de mandala, que trazem acumulação e purificação.

10

Se falta para você confiança de que você domine as experiência do bardo,

Sem segurança, o método sustentando pelo Habilidoso e Compassivo para grandes pecadores

Para realizar energicamente o estado Búdico sem meditação

Como você escapará dos desfiladeiros tortuosos do bardo da existência?

Portanto, seja empenhado em tomar o caminho de transferência.

11

Para o yogui dotado de confiança na visão e meditação,

Todas as experiências agem como um leque ajudando o fogo queimar:

Se falta para você confiança no Dharma supremo da Pacificação do Sofrimento,

Como você cortará os laços amarrados pelos quatro demônios?

Portanto, em todos os tempos, seja empenhado na prática de “cortar até o fim o ego”.

13

Alguém com conhecimento insuficiente parece uma pessoa mutilada tentando escalar uma rocha,

Alguém que estuda as escrituras para tornar-se um erudito

É como uma pessoa que procura por armas letais.

Resumindo, se você não conhece sua própria tradição,

Como você, sendo uma pessoa cega, perdia no meio de uma vasta planície, encontrará o caminho?

Portanto, seja empenhado em trazer sua experiência para sua última profundidade.

14

Como sinal de ter aprendido, seu orgulho deve recuar,

Como sinal de ter meditado, suas emoções devem diminuir:

Se não há sinais dizendo que você fundiu o Dharma com seu ser,

Como um mero reflexo de conhecimento e meditação farão algum bem?

Portanto, seja empenhado em domar seu próprio ser.

15

A tradição espiritual dos sutras e tantras é imensamente vasta,

Porém, não há outro modo de exterminar as emoções obscuras, os três venenos:

Na raiz de tudo, se você não subjugar sua própria mente caprichosa,

Como você cortará a raiz principal do samsara?

Portanto, seja empenhado em escrutinar suas próprias falhas.

16

Sem confiança em cada um dos três veículos –

Os votos individuais de liberação, dos Bodisatvas e dos Mantras –

Para cortar aquela árvore velha dos três venenos

Que está de pé no meio da planície do samsara,

Como poderia haver meios de transformar seres de diferentes disposições mentais?

Portanto, seja empenhado em suprimir a raiz, os três venenos.

(Seres sencientes têm uma visão niilista por causa dos hábitos de vidas anteriores. Agora o povo de Jambudvipa – nosso sistema mundial – tem a boa oportunidade de se encontrar com os ensinamentos preciosos. Sua visão, entretanto, é em muitos casos niilista. Mesmo que eles pratiquem, sua visão é fundamentalmente niilista. O que nós queremos dizer por Niilismo é acreditar somente nesta vida momentânea, acreditar no que nós vemos, ouvimos e saber ser tudo que existe. Se não há sentido entrar em contato com um fenômeno, um niilista recusa aceitar sua existência. Essencialmente é acreditar somente no mundo material e não acreditar em vidas futuras, passadas, os campos búdicos ou outros reinos. Por exemplo, só porque nós não podemos lembrar o que almoçamos em 17 de janeiro de 1993 não significa que não fizemos esta refeição. Exatamente como neste exemplo, ainda que não lembremos vidas anteriores, a mente é contínua e sempre existiu. Niilismo vem do que budistas chamavam culturas bárbaras. A idéia de democracia não encaixa com Budismo. A visão budista não é democrática, comunista, anarquista ou imperialista. Os ensinamentos do Buda não são da cultura Oriental ou Ocidental, a tradição budista está além da cultura, embora pudesse ser chamada “Cultura da Compaixão” ou “Cultura do Desenvolvimento Positivo”. É uma cultura muito preciosa não como todas as culturas ordinárias encaixadas no samsara. O estado budista que todo fenômeno surge da causa e efeitos que são totalmente interdependentes. Isto explica o que os seres designam “o mundo”. A visão budista afirma que a natureza de nossas mentes é pura, absoluta sabedoria. Isto explica todos os aspectos de nossas experiências subjetivas. Mesmo que atualmente não sejamos bárbaros, hábitos bárbaros são carregados por muitos de nós de nossas vidas passadas. Agora mesmo quando nós encontramos com o Budadharma temos uma excelente oportunidade de mudar nossos hábitos e visões erradas. Agora que temos a oportunidade, temos que desenvolver hábitos puros e percepções puras de acordo com o exemplo de Buda e seus discípulos que praticavam os ensinamentos. Precisamos desenvolver a visão que nossas percepções impuras, em outras palavras todos os fenômenos, são impermanentes.

O Grande Pandita, Ashvaghosha disse:

Na terra ou então nos céus,

Uma vez nascido haveria alguém que não morresse?

Você já viu alguém?

Você já ouviu de alguém ou você tem dúvidas?

Nós precisamos pensar na impermanência para fazer uma significativa vida e acumular mérito nesta vida atual porque sem entender a impermanência, não estaremos satisfeitos porque continuaremos gananciosos, o que como Buda ensinou, cria karma negativo e o conseqüente sofrimento dos seres sencientes. Pensar na impermanência diminuirá nosso apego e ganância. Para aqueles que não entendem a impermanência, mesmo se eles souberem sobre isso, há muito medo da mudança e morte. Isto é muito errado. Se você pensa que o fenômeno da sua vida é permanente, então o apego crescerá e você nascerá no samsara repetidas vezes. Através da meditação na impermanência a vida então é menos como samsara. A verdade da impermanência é muito preciosa pela meditação nisso nós diminuímos o próprio samsara.

Do capítulo de Shantideva na Sabedoria:

Treinando nesta aptidão para a vacuidade,

O hábito de interpretar consideravelmente desbotará.

Treinando na visão de todas as carências individuais

Esta visão própria também desaparecerá.

Impermanência não é uma idéia criada por Buda, este mundo é naturalmente impermanente, entretanto as pessoas não reconhecem isto; não acreditam nisto, não praticam e por causa disso todo o mundo está se tornando bárbaro. Cada um deles acredita ou não que os ensinamentos espirituais budistas podem ajudar pela meditação na impermanência. Aqueles que acreditam nos ensinamentos e aqueles que não no final morrem. A diferença é que aqueles que realmente acreditam nos ensinamentos prepararão a si mesmos para esta transição.

Das trinta e sete práticas de um Bodisatva:

Amigos próximos que tem um longo tempo juntos se separarão,

Riqueza e posses ganhadas com muito esforço serão deixadas para atrás.

A consciência, um hóspede, deixará o hotel do corpo.

Deixar as preocupações desta vida é a prática de um Bodisatva.

Através da prática da meditação, o corpo de sabedoria do Buda pode ser atingido em vidas futuras ou mesmo nesta vida e a iluminação obtida. Este resultado, iluminação é a Solução Uma para todos os maus. É a vacuidade inoxidável como o céu. Esta vacuidade é nosso nascimento natural através de todas as nossas vidas porque esta é a verdadeira natureza de nossa própria mente.

Como eu posso encontrar felicidade?

O Buda disse que mesmo o menor dos seres quer ter felicidade. De fato, todos os seres estão procurando pela felicidade. Este é o desejo que habita em cada mente: ter a felicidade. Mas nós realmente não sabemos o que fazer. Isto é por que mesmo quando temos a intenção de alcançar a felicidade, nós nos prendemos muitas vezes em atividades erradas tais como roubar, matar e mentir. Mesmo se em nossa mente o objetivo final é ser feliz, mesmo se nós temos a idéia da felicidade, nós fazemos ações negativas e nocivas para outros seres e para nós mesmos com nosso corpo e palavra.

Desejar a liberdade dos seres para eles mesmos da miséria

Mas eles acompanham e perseguem a própria miséria.

Eles anseiam por alegria, mas em sua ignorância,

A destroem como fariam a um inimigo odiado

(Bodhisattvacaryavatara Cap. 1 verso 28)

Isto acontece porque nós não sabemos sobre causa e efeito. Nós podemos começar a entender a causa e efeito observando a natureza: Quando você planta uma semente de arroz, por exemplo, o que ao final cresce é sempre arroz. Este é o efeito. Você já viu uma batata nascer de uma semente de arroz?

No Budismo, nós damos a esta relação entre causa e efeito o nome de karma. Karma significa ação. Karma pode ser positivo ou negativo dependendo das nossas ações. Quanto maior a quantidade de karma negativo, mais experiências de sofrimento teremos. Quanto maior a quantidade de karma positivo, maior nossa felicidade.

Nós falamos sobre dois tipos de interdependência: interdependência externa e interna. Interdependência externa corresponde aos aspectos exteriores, como por exemplo, nós acabamos de mencionar a semente de arroz. Interdependência interna é dentro da mente.

O Budismo chama os cinco venenos do pensamento: raiva, desejo, ignorância, orgulho e inveja. São estes venenos da mente que são a causa do nosso sofrimento e também (a condição de) outros sofrimentos. Não entendemos isto. E mais, todas as qualidades luminosas que temos em nossa mente vêm da correta motivação em ajudar outros seres através do amor, compaixão e paciência. Estas são, na realidade, as sementes da nossa felicidade assim como (a condição de) outras felicidades.

Deveria uma pessoa viver sua vida constantemente brigando e criando confusão, outros ao redor dela não vão querer ficar perto porque também irão sofrer. Em compensação, se uma pessoa promover amor e felicidade, todos irão querer ficar perto dela.

Outros se sentem confortáveis e sabem que com ela, eles não precisam ter medo. Infelizmente, com nossas tendências habituais adquiridas ao longo de muitas vidas, nós facilmente cometemos ações negativas. Não precisamos de nenhum treinamento para ensinar isso. Nós parecemos ter total conhecimento disso quando nascemos.

Para tornar-se uma pessoa positiva, entretanto, é um difícil processo e requer muito trabalho. O resultado é uma vida positiva e melhor, um resultado que valeu a pena o trabalho duro.

Sem seguir ensinamentos espirituais você pode sentir que tudo é perfeito embora na realidade, esteja longe disso. Através dos ensinamentos de Buda, as pessoas tornam-se mais maduras e inundadas com qualidades positivas como amor, paciência e compaixão. Você sente isto para com todos os seres não somente com seu próprio círculo. Buda é como nosso grande amigo desconhecido que as bênçãos vêm a nós mesmo sem percebermos isto.

(Alguns budistas ocidentais tornaram-se como prostitutas porque aceitam qualquer tipo de professor e qualquer tipo de ensinamento sem ter fé verdadeira em nenhum. Assim como uma prostituta conhece muitos homens, mas nunca tem um parceiro confiável. Não é minha intenção ofender qualquer estudante com isto, mas somente tornar claro o quanto é vital uma relação discípulo professor forte para fazer qualquer progresso no caminho. Você precisa ter seu compromisso com seu professor extremamente sério.)

Khunkhyen Longchenpa disse em seu Mágico Descanso:

Os estágios de desenvolvimento e conclusão e assim por diante não são capazes de liberar pela essência de seus caminhos; eles dependem de conduta e circunstâncias vantajosas. Lama’i Naljor é somente a essência do caminho próprio, então a realização da natureza não condicionada nasce na mente e torna-se livre. Portanto, Lama’i Naljor é mais profundo que todos os outros caminhos.

Lama’i Naljor é Guru Yoga. Mantendo o Guru Yoga é uma disciplina da mente, conhecida como os Samayas do Corpo, Fala e Mente.

Como Dudjom Rinpoche disse em seu novo tesouro Comentário do Ngondro,

Se não há devoção ao Lama, mesmo se a pessoa completa os requisitos da prática da sadana de acordo com os seis ensinamentos tântricos da meditação das divindades, a realização espiritual suprema nunca será obtida. Mesmo muitos dos objetivos espirituais comuns tais como vida longa, prosperidade, magnetismo e assim por diante não serão realizados. Se por uma chance há uma mínima realização, requer grande dureza e o caminho não será profundo. Se a devoção infalível se desenvolve na mente, obstáculos no caminho serão limpos, avanço será feito e todos objetivos espirituais comuns e supremos serão realizados sem depender de mais nada. Estas são as razões para esta prática ser chamada de o profundo caminho de Lama’i Naljor.

(do comentário de “Novas práticas preliminares”)

Sem respeito e devoção não importa quanto Dharma você pensa que conhece, as bênçãos da linha do Buda serão bloqueadas em seus pensamentos. Você precisa se comprometer em praticar seriamente. Senão você está gastando seu tempo e criando karma negativo e sua única conexão com os ensinamentos é egoísta, deixando você com o resultado de um ego mais profundamente enraizado. A devoção budista não foi feita para ser uma devoção cega que precisa ser adotada sem questionamentos. Todos os textos sagrados declaram que um professor deve ser analisado e se em seu processo de análise você descobre que ele é um mestre verdadeiro e autêntico, que ele ensina a sabedoria do Buda e traz benefícios para os seres, então a devoção naturalmente nasce desta realização. No Ocidente e Oriente existem bons e maus professores. Existem milhares de professores de budismo e naturalmente nem todos eles por virtude de carregar um nome budista são amigos espirituais genuínos. Especialmente os ocidentais devem ter consciência disso. Se você tem um bom professor você tem uma chance de tornar-se um bom discípulo, entretanto se você tem um mau professor, você absorverá as qualidades dele e não se desenvolverá ao longo de seu caminho espiritual. Sendo bons ou maus discípulos, todos os praticantes querem o mesmo: Iluminação. Não seguindo um professor qualificado, sua jornada para a iluminação encontra um trânsito, por exemplo, pessoas querem ir para a Califórnia para mergulhar, mas no caminho tem um acidente ou pega um trânsito e elas precisam esperar no meio de suas jornadas por um longo tempo. É o mesmo se você é azarado o bastante para encontrar um mau professor ou para praticar uma sadana sem a linhagem autêntica, sua jornada para a iluminação será colocada em uma parada. Linhagem para aqueles que não sabem, refere-se a transmissão real da Sabedoria búdica. É como a luz de uma vela passada para a próxima vela e assim por diante. A linhagem é como uma corrente dourada que não pode nunca ser manchada e somente pode ser recebida de um Lama supremo e altamente realizado que é reconhecido por ser o real Buda. Para praticar uma sadana o mínimo é ter recebido a Transmissão Oral e uma introdução de como praticá-la. De acordo com o Vajrayana você precisa receber um poder, transmissão oral e instruções secretas para cada sadana. Nos ensinamentos tântricos de Buda tentar praticar fora da linhagem e sem os poderes e transmissões apropriadas é como desejar um oceano no deserto. É mais importante seguir uma linhagem autêntica com ensinamentos de um lama desta linhagem e com um pequeno gosto de excitação e drama. Eu estou dizendo a você isto que a intenção pura que você recebe dos ensinamentos budistas verdadeiros sem nenhuma intenção negativa de depreciar sua prática.)

Esta não é uma idéia minha isolada, é baseada nos ensinamentos dos grandes mestres do passado. Por essa razão se você como leitor concorda ou discorda não faz diferença para mim.

De Shantideva:

Por que eu deveria ficar contente quando as pessoas me elogiam?

Outros me desdenharão e me criticarão.

E por que desanimar quando eu sou culpado,

Desde existam outros que pensam bem de mim?

Tantos são os desejos e tendências dos seres,

Mesmo o Buda não pode contentar todos

De tal mau homem como eu não precisa falar!

Melhor desistir de tais pensamentos mundanos.

(Shantideva. Um guia do modo de vida dos Bodisatvas. Capítulo 8 versos 21&22)

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Como desenvolver e manter uma relação

Nagarjuna, um grande Bodhisattva, disse:

“Tal como os sábios respeitarão uma estátua do Sugata,

Mesmo que possa ser feita de madeira e por mais que possa não ser adornada,

Da mesma maneira, embora essa minha composição possa ser lamentável,

Que você possa não criticá-la, por ser baseada no Sublime Ensinamento.”

Eu não estou dizendo isso como uma idéia minha. Isto vem dos ensinamentos do Sutra e do Tantra de Buda Sakyamuni. Muitas pessoas não os leram, e é por isso que eu fiz essa coleção de ensinamentos.

Falando de modo geral, nós não devemos interpretar mal os ensinamentos. Por termos tido maus hábitos por muitas vidas, a verdade é dura para nós acreditarmos. Este é o motivo de ser necessário mantermos uma boa relação com nosso professor.

Shantideva (séculos VII e VIII) disse:

“Uma palavra benéfica e eles se ressentem

Enquanto todos se ressentem, eu me tiro do bem.

E se quando eles falam, eu fecho meus ouvidos,

A queima da cólera deles é a causa dos estados mais inferiores.”

A manifestação de Samantabadra, Longchenpa (1308-1363) também disse: “Quando eu digo a verdade, as pessoas não acreditam, criticam e se tornam ruins. Se eu digo coisas superficiais, as pessoas acreditam mas não há benefício.”

A manifestação de Shantideva, Patrul Rinpoche (1808-1887), disse: “Embora você explique, as pessoas perdem o ponto ou não acreditam em você. Embora sua motivação seja realmente altruísta, as pessoas pensam que não são. Nestes dias quando a mente torta vê o certo como torto você não pode ajudar ninguém – desiste de qualquer esperança sobre isso.”

Nas Palavras do Meu Professor Perfeito diz-se: “Nenhum sutra, tantra ou shastra fala de algum ser atingindo a perfeita Budeidade sem ter seguido um professo espiritual.”

Porque terem tido uma respeitosa relação com seus professores, mil Budas se iluminaram. Se um não for respeitoso, esse um não pode realizar a iluminação. Há somente um caminho. Não há um segundo caminho. Nós devemos pensar isso agora mesmo, nós temos uma oportunidade muito boa. Por muitas vidas, nós não tivemos esse tipo de oportunidade. O grande professor Dakpo Lage disse: “Concedendo suas bençãos que minha mente pôde seguir o Dharma.”

Diz-se nas Palavras do Meu Professor Perfeito: “Pessoas comuns como nós são, em sua maioria, facilmente influenciadas por pessoas e circunstâncias ao nosso redor. Este é o motivo pelo qual nós devemos sempre seguir um professor, um amigo espiritual.”

Nós pensamos que, porque estudamos o Dharma, nós temos algum conhecimento. Mas, de fato, nós não mantemos os ensinamentos do Dharma dentro das nossas mentes – somente na nossa boca e corpo. É por isso que o comportamento superficial surge. Nós sempre cometemos erros. Se não há entendimento sobre esta oportunidade e nós a perdemos, tudo pode dar errado. O grande professor Chatral Rinpoche disse: “Se nós não sabemos a data certa e nós dizemos a alguém que é dia dois quando de fato é dia primeiro, todos os meses à frente estarão errados.”

Se existem oportunidades perdidas, então por muitas vidas nós podemos perder a chance de uma boa interdependência. De fato, as pessoas pensam que um professor de Dharma e um professor normal de universidade têm as mesmas qualidades.

Diferenças entre um professor de Dharma e um professor de universidade.

Os ensinamentos de um professor universitário são só uma educação temporária, estudo e suporte.

Os ensinamentos vindos de um professor do Dharma não são assim. Quando recebemos ensinamentos no Dharma são para a nossa liberação. Nós estamos fazendo prática e isso nos traz realização e todos os seres sencientes serão beneficiados com nosso desenvolvimento de aspiração e Bodichita. Isto não é um benefício temporário. Isto é um beneficio absoluto único.

Algumas pessoas pensam que um professor de Budismo é como uma escova de dentes e precisa ser mudado depois de um tempo. Na relação entre professor e estudante é muito mais importante mantermos o Samaya porque, se em assuntos normais nossos erros afetam somente uma ou duas vidas, nos assuntos do Dharma nossos erros afetam muitas vidas futuras. As pessoas não sabem o quanto é perigoso isso e o quanto é importante estudar e realmente seguir o que é correto. Nós precisamos pensar como manter essa tão importante relação dármica.

Nas Palavras do Meu Professor Perfeito diz:

“Exatamente como o tronco de uma árvore comum

Deitada na floresta das montanhas Malaias

Absorve o perfume de sândalo de folhas úmidas e galhos,

Você vai se parecer com quem você seguir.”

Uma boa relação entre professor e aluno é como isso. Se a relação não é boa, é como cocô de cachorro que está em um único ponto mas todo o lugar cheira mal. Por isso é muito importante que você mantenha uma boa relação com o seu professor. Isto não é para seu benefício temporário mas um tanto para seu benefício para esta e futuras vidas.

O segundo Buda, Guru Padmasambhava disse:

“Não examinar o professor

é como tomar veneno,

não examinar o discípulo

é como saltar de um precipício.”

Você precisa primeiro verificar e encontrar um autêntico e autorizado professor que tenha sabedoria e conhecimento. Não cometa mais erros. Se você tem um comportamento superficial, então você continuará cometendo erros. Você precisa ser muito cuidadoso.

No Tantra “A Inefável Confissão Absoluta”, está escrito “conhecer ou não conhecer, eu transgrido através da ignorância os preceitos dos meus professores e meus votos.”

Está escrito nos ensinamentos que yogis não devem se misturar, nem por um momento, com aqueles que degeneram Samayas (votos sagrados). Dentro do Vajrayana, é chamado Samaya e no Mahayana é chamado voto mas o significado é o mesmo.

O significado de um voto é como uma energia ou poder. Como em termos ordinários um carro sem gasolina não pode andar; da mesma forma, se nós não mantemos nossos votos, não podemos libertar os seres sencientes do samsara e não podemos beneficia-los. Não somos capazes de realizar a liberação nem para nós mesmos.

Basicamente, Samaya in Sânscrito é o que em tibetano chamamos Dam tsik. Dam significa manter o voto e nos protegermos. Tsik significa que se não mantivermos o voto, nasceremos no reino do inferno com nossos corpos queimando em um fogo interminável.

Por exemplo, quando você recebe uma iniciação de um Guru, você recebe uma gentileza. Daí você continua recebendo mais ensinamentos sobre a introdução da natureza da mente, isto é a terceira gentileza. Então este será seu Guru raiz. Estas são as Três Gentilezas do ensinamento Vajrayana, isto é similar na tradição Mahayana. A explicação pode ser um pouco diferente mas o significado é o mesmo.

Quando você recebe ensinamentos de um professor, você precisa verificar se ele é de uma linhagem pura ou de uma linhagem interrompida.

Se ele é de uma linhagem pura essa é uma grande oportunidade. Você deve pensar que este professor tem dentro de si mesmo a essência de todos os Budas. A Sagrada Linhagem e a Sacralidade desta transmissão do Buda e a Importância do Dharma da Sagrada Linhagem como transmitida do professor ao aluno.

Se você olha para seu professor com decepção, automaticamente você estará olhando para todos os Budas com decepção e não será capaz de receber as bençãos, já que o professor representa Buda. Nós não podemos perder a oportunidade na primeira chance. Se você perde um professor, é o mesmo que perder todos os Budas e Bodisatvas. Desta forma, você ficará se interrogando no Samsara por muitas vidas. Patrul Rinpoche disse:

“O professor com qualidades infinitas completas

É a sabedoria e compaixão de todos os Budas

Aparecendo com uma forma humana para seres doentes.

Ele é a fonte desigual de todas as realizações.”

Existem muitas linhagens temporárias, mas todas vêm da linhagem absoluta, porque todas as linhagens vêm do Buda Sakyamuni e do Guru Padmasambhava e elas são suficientes para eles. Nós precisamos respeitar todas as escolas. Respeitando todos os estudantes do Dharma como nossa Sangha. Eles são realmente membros da Sangha.

Se existem desentendimentos entre os membros da Sangha com fofoca, briga, que causem como resultado conflitos e discórdia, como Kabje Dilgo Khyentse Rinpoche ensinou, essa pessoa irá cair imediatamente no reino dos infernos no momento de sua morte. Ela não irá nem mesmo viajar pelo bardo da morte.

Basicamente, nós temos dois tipos de professor: um tipo de professor é o grande professor. Exemplos de grandes professores são Kabje Dudjom Rinpoche, Kabje Dilgo Khyentse Rinpoche, o 16o. Karmapa e o Dalai Lama. Eles não possuem corpos kármicos. Eles somente possuem um corpo de sabedoria. Por causa de nossos karmas negativos e do aparecimento de hábitos errados, nós não podemos ver suas qualidades sagradas que são imensuravelmente puras tanto interna quanto externamente.

Também existe o outro tipo de professor, não tão grande como aqueles pois eles têm um corpo kármico mas suas mentes são como a sabedoria de Buda. Qualquer que seja o professor que ensina, isto beneficia todos e é o Dharma Supremo. Nós devemos respeita-los e aos seus ensinamentos. Se eles são realmente professores de boa qualidade, então todos se beneficiarão.

Buda tinha três manifestações de Kaya: a manifestação de Nirmanakaya a qual todos nós podemos ver. E as manifestações de Sambhogakaya e Dharmakaya que não podem ser vistas por seres sencientes ordinários. Nós não podemos ver estes corpos sutis porque não temos méritos suficientes.

Buda manifesta seu Nirmanakaya para ser visto pelas pessoas comuns que podem então receber ensinamentos. Agora, nós não podemos ver o Nirmanakaya de Buda, mas nós temos uma representação especial dele que é o Dharma e os professores. Quando recebemos ensinamentos, devemos ser fiéis e acreditar para criar-se uma conexão especial entre o aluno e professor. Por isso, nós devemos ter disciplina, o que é muito importante.

Se uma pessoa não é fiel e não acredita, não receberá nenhuma benção, nem mesmo se mil Budas vêm ao seu encontro.

O grande realizado Jigme Lingpa (1730-1798) disse: “Se a pessoa não mantem o Samaya, praticando a recitação do mantra da cem deidades por muitos anos, não pode se libertar. Toda a virtude é estragada.”

Se uma pessoa quebra o Samaya, onde quer que essa pessoa vá ou quem quer que ela encontre, haverá um impacto negativo.

Sobre e o que se precisa para iniciações no Vajrayana e práticas tântricas

Por que existe as autorizações de iniciações, Kabje Dilgo Khyentse Rinpoche ensinou:

“Qual é a qualidade da autorização? Isto é chamado de amadurecimento da autorização. O que está sendo amadurecido? Todos os seres sencientes têm o potencial do tathagatagarbha, que é intrínseco a natureza da mente.”

Quando você recebe uma única iniciação, isto já inclui três votos. Nos ensinamentos de iniciação você recebe três votos porque eles incluem os votos Hinayana, Therayana e Mahayana. Daí, estes são transformados nos votos Vajrayana ou na sua essência.

Responsabilidades associadas ao recebimento das iniciações

Os mantras secretos do Vajrayana permitem a Iluminação no tempo de uma vida. A primeira iniciação é a iniciação do vaso. Se a primeira iniciação não é feita, a segunda iniciação não pode ser concedida e da mesma forma, se a iniciação secreta não é feita, a iniciação da Sabedoria não pode ser concedida. A sucessão de intervalos entre estas iniciações pode variar de acordo com a receptividade e maturidade de cada discípulo.

O recebedor deve unir-se em conformidade com a obrigação do Samaya, o que constitui o coração da iniciação. Existem diferentes Samayas mas todos incluem o Corpo, a Fala e a Mente do Guru. Então o mais importante é unir-se a ele fielmente.

Se uma pessoa não recebe uma iniciação, não deveria nem mesmo ler um texto sagrado. A realização somente acontece se o discípulo mantém o Samaya perfeitamente puro.

Se nós, seguidores dos mantras secretos do Vajrayana, somos capazes de aceitar de coração a essência da prática dos três Preceitos, a vestimenta exterior, seja um monge ou um praticante comum, não tem importância. Isto foi ensinado por Kabje Dudjom Rinpoche.

Um Sutra de Buda diz que se uma pessoa recebe um ensinamento de uma única parte e não mantém o Samaya, então nascerá por quinhentas vidas como um cachorro. Imagine se você recebe um ou dois dias de ensinamentos, quantas são as partes recebidas durante esses dias. Nós pensamos que queremos nos tornar Iluminados, mas o resultado kármico é que nos tornamos um cachorro. Se você não tem respeito pelo seu professor, Patrul
Rinpoche disse:

“Por não examinar um professor com grande cuidado,

o fiel desperdiça seus méritos acumulados.

Da mesma forma que uma cobra cruel é pega pela sombra de uma árvore

E, seduzida, ela perde a liberdade até ser encontrada.”

Sobre o comportamento das pessoas, Shantideva disse:

“Um momento, amigos.

No seguinte se tornam, amargos inimigos.

Até coisas agradáveis estimulam o descontentamento.

Pessoas mundanas – difícil é agrada-las!”

Como se tornar um professor budista

Sua santidade, o Dalai Lama, deu um conselho: você não precisa se tornar Budista. Respeite a sua cultura, é um grande conselho. As pessoas não compreendem o sentido disso. Eu posso dizer que se você se torna um Budista, precisa estudar o Dharma para ser verdadeiramente um Budista. Se você não estudar o Dharma, apenas fará uma grande bagunça. E o mesmo vale para se você aceitar falsos, pretensos professores. Ainda, você estará destruindo a doutrina Budista, o que trará um karma muito negativo. Se você não se tornar budista, será impossível que estes problemas existam. O conselho do Dalai Lama tem muito significado; ele traz proteção para cada um. Se você se tornar budista, não faça esta bagunça. Com isso, todos se regozijarão, e você estará recebendo karma positivo.

Não interprete de modo incorreto os estudos do Buda e Dharma que seu professor está dando.

Alguns professores ensinam abertamente Dzogchen ou Mahamudra, que são segredos do Dharma e ensinamentos muito importantes. Eles dizem que antes não são necessárias as práticas de Ngondro e de Lama Yidam Khandro. Estão indicando uma direção errada, pois se isto fosse verdade, então Buda e Guru Padmasambhava, o segundo Buda, estariam errados, pois eles escreveram tantos comentários que, com isso, seriam desnecessários. Por exemplo, Guru Rinpoche disse que se uma pessoa não tem terras, não pode construir uma casa. Da mesma maneira, se as práticas básicas de Ngondro e de Lama Yidam Khandro não forem terminadas, receber Dzogchen ou Mahamudra não pode resultar na sua iluminação. De qualquer forma, a doutrina budista é só uma. Não há uma nova. Esse tipo de professor esta tentando fazer uma nova doutrina budista. Você precisa tomar cuidado.

Os itens adicionais para proteger os estudantes que precisam de ajuda

A Sagrada linhagem e a sacralidade da transmissão sagrada do Buda-Dharma, o que o professor precisa saber, praticar, estudar. O professor deve ter realização, deve ser um portador da linhagem, deve ter autorização para ensinar.

Sobre os perigos dos falsos professores, o Vitorioso Longchenpa disse:

“Desejando sua própria grandiosidade, exporá o Dharma para outros e através de numerosos truques enganadores reterá um círculo de pessoas importantes e humildes. Mas tal mente agarrada a realidades grosseiras é a causa do orgulho. Ter somente planos de curto prazo é meu conselho do coração.”

No passado, estudantes poderiam procurar por professores qualificados. Hoje em dia, os professores precisam procurar pelos alunos. De fato, nessa era degenerada, qualquer um que conheça um pouco do Dharma deseja se tornar um professor. Esta pessoa está só pensando no poder e em uma forma de negócio; este é um dos oito dharmas mundanos. Ele pensa que sabe tudo. Se torna professor, mas pensa que está se tornando Buda. E se alguém faz uma pergunta, ele responderá mesmo que não saiba a resposta certa.

Mipham Rinpoche (1846-1912) disse:

“O ensinamento não deve ser adulterado pelas invenções perversas de dialetantes.”

Isto não é benéfico para ninguém – nem mesmo um benefício temporário. Este tipo de engano é ruim para nossa própria vida e para a vida de outras pessoas. É uma perda de tempo.

O professor do Dharma do Buda deve ter conhecimento, deve ter estudado o Dharma e deve ter uma verdadeira e profunda realização. Se ele não tem realização, então somente o intelecto está sendo usado. Nós pensamos que nosso intelecto é sabedoria, mas ele pode ser não-sabedoria. Uma pessoa que faz bombas pode ser vista como muito inteligente, mas do ponto de vista budista isso é não-sabedoria, porque muitas pessoas podem ser atingidas com seus feitos. Nós podemos até ter a correta motivação e pensar que é o caminho certo, mas não sabemos e não temos certeza e nossos hábitos errados fazem surgir os oito dharmas mundanos.

Então nós pensamos que estamos certos quando, na verdade, não estamos. Cometemos erros sem saber, como quando um fogo parece que acabou porque as cinzas estão frias no topo. E daí colocamos a mão dentro e acabamos nos queimando porque as cinzas continuam quentes por baixo. Isto é enganar a nós mesmos e, claro, aos outros também. Nós não podemos ver nossas tendências habituais erradas, mas elas sempre nos fazem errar. Nós pensamos que somos muito especiais, mas na verdade não somos. Precisamos ser humildes, com menos ego, precisamos consertar a nós mesmos primeiro para poder ajudar aos outros seres. De outra forma, é como tentar consertar o céu.

Kabje Dudjom Rinpoche (1904-1987) disse: “Se durante suas práticas, circunstâncias ruins aparecem no caminho, isto é relativamente fácil de lidar. No entanto, boas circunstâncias apresentam maiores dificuldades. Existe o grande perigo de que em tão boas circunstâncias apoiadas pela crença de que você atingiu um alto nível de realização, você se devote a caminhos para alcançar grandeza nesta vida e se torne servo de distração do Demônio Devaputra. Você precisa ser muito cuidadoso. Você precisa saber que isto é uma encruzilhada e que você pode ir para cima ou para baixo, o ponto onde grandes meditadores são postos em teste.”

Mesmo professores de alto nível têm este problema. Imagine no início, quando nós estamos nos tornando professores, o quão enormemente perigoso isto é.

Kabje Dilgo Khyentse Rinpoche (1910-1991) disse: “Se uma pessoa não pratica e deseja ensinar, não há benção. É como um copo vazio tentando encher um outro copo vazio. É nada sendo despejado em nada.”

A coisa mais importante é praticar porque se nós alcançamos nossa realização, qualquer coisa que façamos automaticamente trará benefícios aos outros seres.

Jamyang Khyentse Wangpo (1820-1892), uma manifestação de Manjushri, ensinou: “Antes cem poderiam ser libertados facilmente, mas nesta época degenerada, é difícil liberar mesmo que seja um único ser senciente por causa das visões incorretas e da não crença.”

Nós não podemos alcançar a liberação facilmente por causa do nosso profundo karma negativo.

Como conseguir tornar-se um professor? Isto tem que ser considerado e estudado porque, como Sakya Pandita disse: “Se a pessoa não estuda, então sua meditação e ensinamentos são como uma pessoa sem mãos tentando escalar uma montanha.”

Se você se torna um professor, você deve desenvolver a Boddhicitta Mahayana. No Vajrayana, existem diferentes tipos de professores qualificados, mas todos juntos incluem o Tantrayana, as Instruções dos mantras secretos e os Sutras chamados instruções do Tripitaka. Quem sabe tudo isso é um professor qualificado.

O professor precisa da permissão para ensinar dada pelo seu Lama Raiz, que é quem sabe as qualidades dele. Se o professor não recebeu permissão para ensinar, ele então quebrou o Samaya. Seus ensinamentos serão como veneno e não podem beneficiar os outros. Alguns estudantes não tem a confiança do professor, mas eles ensinam mesmo assim.

Um exemplo disso é quando eu recebi uma carta de permissão do Governo Tibetano. Eles não sabem minha qualidade de estudo, o trabalho deles é somente político. Eles não têm nada com o Dharma. Dharma e política não têm conexão. Os trabalhadores do Governo são pessoas laicas, não grandes praticantes do Dharma.

Na realidade, mesmo aqueles chamados Tulkus ainda precisam estudar por um longo tempo. Se um Tulku não estuda, ele não se tornará um professor qualificado mesmo que ele tenha sido um grande professor na vida passada. Ele pode ter uma história bonita e muito profunda na sua vida passada, mas se não tiver conhecimento suficiente, sua reencarnação pode destruir sua bela história.

Os tibetanos dizem que as pessoas comuns se tornam monges e monjas quando ficam cansados da vida normal e envelhecem. Porque não obtêm sucesso em suas vidas, eles tornam-se monges. Estes podem então ser chamados monges ou monjas comuns cansados. Já que eles não estudam o Dharma, eles serão monges ou monjas muito inúteis. Hoje em dia, estes monges comuns cansados, assim como as pessoas normais, estão se tornando professores.

Como eles podem trazer algum benefício? Eles pensam que estão ajudando os seres sencientes, mas eles podem somente destruir o Dharma. Nós temos que proteger o Dharma junto com o pensamento de beneficiar os seres sencientes.

Se nós protegemos o Dharma, automaticamente outros seres serão beneficiados. Nós temos que estudar profundamente, e não como turistas no Dharma, para conquistar benefícios verdadeiros. Se não, é estar destruindo o Dharma.

Kabje Dudjom Rinpoche disse: “Até que a expressão das qualidades do seu entendimento interior tenha atingido a perfeição, é errado contar suas experiências para todos. Então, mantenha sua boca fechada.”

Patrul Rinpoche também diz:

“Esconda o corpo e permaneça em um lugar solitário.

Esconda a fala e desligue-se da conversação.

Esconda a mente e somente olhe seus próprios erros.

Então pode ser chamado um yogi oculto.”

Em um Sutra, há um ensinamento de como você perde seu mérito. São quatro as causas para isso:

1. Quando você lamenta ter feito qualquer ação virtuosa.

2. Quando você conta a todos sobre um ato meritório, como, por exemplo, um retiro, exibindo-o como um diploma.

3. Quando você dedica seu mérito de uma forma errada.

4. Quando você não dedica seu mérito de forma nenhuma.

Em relação a qualquer mérito ou prática, você deve manter segredo. Não conte seus meses ou anos de um retiro. De preferência, pratique seriamente por toda a sua vida. Quando você tiver uma verdadeira realização sobre causa, efeito e vacuidade, então você terá uma grande realização.

Existem muitas pessoas que têm pequenas experiências do Dharma, como uma gota de água no Dharma. Elas já estão escrevendo livros do Budismo. Esse tipo de pessoa não reconhece uma experiência verdadeiramente profunda. Elas escrevem livros chamados livros de Dharma, trazendo mais distrações. Não há benefício.

Elas pensam que estão fazendo isso para benefício dos outros, mas na realidade, isso não é benefício. Isto não é necessário. Estes novos livros e estes autores não possuem as qualidades de um Bodisatva. Muitos grandes comentários de Grandes Budas e Bodisatvas estão prontos para serem lidos. Você deve gastar seu tempo estudando estes preciosos ensinamentos e livros. Será mais benéfico para você e para os outros. Livros novos não têm significado suficiente – eles só misturam samsara e Dharma. Eles só criam mais distração e obstáculos.

O quinto Dalai Lama tinha um secretário chamado Deje Sangye Gyatso. Ele escreveu muitos livros. Quando ele foi ficando velho, ele percebeu que Mara garb wangchuk tinha dado a ele uma caneta, o que tinha sido a causa de muitos anos perdidos em distrações. Ele percebeu que se tivesse, de preferência, gasto este tempo praticando, ele poderia ter alcançado a Iluminação. Ele finalmente concluiu: “Toda a minha vida foi desperdiçada em distração porque Mara me deu uma caneta!”

Nagarjuna disse:

“Existem quatro tipos de pessoas –

aquelas que vão da luz para a luz,

aquelas que vão da escuridão para a escuridão, (…)”

Basicamente, os seres sencientes estão na escuridão. Especificamente, nós somos todos seres humanos que estão indo da escuridão para a luz. Hoje em dia, na maioria das vezes as pessoas estão indo da luz para a escuridão. Isto é uma coisa triste.

Nós temos uma boa oportunidade. Se não a mantivermos, mais uma vez nós iremos para a escuridão.

Meu desejo é que, que com esse texto sobre a relação professor-aluno, as pessoas vão da luz para a luz e não da escuridão para a escuridão.

Eu não estou dizendo que eu tenho muitas boas qualidades, mas eu sou grato ao meu Guru por esta oportunidade. Eu tive mesmo boas instruções dele.

É por causa de sua gentileza de me abençoar que eu fui capaz de memorizar, praticar constantemente e sempre seguir o significado por muitas vezes, e, assim, escrever esta coleção de ensinamentos. Mas, se algumas pessoas, ao lerem este texto, me criticarem, a culpa não será minha, pois elas não estarão seguindo ou estudando o Dharma budista. Se o estiverem estudando, verão estes comentários ditos por grandes professores, não há necessidade de criticar. Eu espero que este texto possa trazer benefícios a todos. Algumas pessoas estão se comportando superficialmente, o que é muito perigoso. Eu espero especialmente que este texto as beneficie. Isto foi escrito porque a Sangha em São Paulo me pediu este ensinamento.

Este texto não deve ser comparado com a versão em inglês. Novos trechos foram introduzidos durante o processo de tradução. Em caso de dúvidas, envie um e-mail para o endereço contido

Venerável Lopon Osel

23 de julho de 2006

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Conselhos aos Retirantes de Três Anos

por Kyabje Dilgo Khyentse Rinpoche Homenagem ao Guru! Isto é dirigido àqueles que permanecem em retiro de três anos na França. Vocês que vivem na Europa e em outros países modernos possuem todas as comodidades e confortos que esta vida oferece, mas até recentemente jamais haviam sequer ouvido falar da prática do Dharma. Nos tempos recentes, aconteceu que os ensinamentos declinaram no Tibete, e muitos lamas, seniores e juniores, das quatro escolas do Budismo Tibetano chegaram à Índia. Agora, enquanto seus diversos ensinamentos estão sendo revitalizados e o tempo destinado à permanência do Buddhadharma ainda não se esgotou, vários grandes mestres foram visitar e se estabelecer em outros países. Como resultado, muitas pessoas no mundo moderno desenvolveram a intenção de praticar o Dharma.

Os estudantes de meu mestre Kangyur Rinpoche, em particular, passaram a me considerar como seu próprio guru-raiz e têm o sincero desejo de praticar o Dharma ao longo de toda a vida. Com a inspiração e o apoio de Tsetrul Pema Wangyal Rinpoche, estabeleceram um centro de retiro em Chanteloube. O verdadeiro propósito desse centro é que aqueles que permanecem em retiro se estabeleçam firmemente no caminho para a libertação. Ao fazê-lo, estarão cumprindo a visão iluminada de Kangyur Rinpoche, servindo seus próprios mestres e fazendo o melhor uso possível dos muitos ensinamentos profundos que receberam.

Com isso em mente, todos que se comprometem a permanecer em retiro devem assegurar que fé, renúncia, compaixão e investigação da natureza da mente estejam no próprio coração de sua prática.

“Fé” significa confiança completa e apoio inabalável nas Três Joias em geral, e em nosso próprio guru em particular, bem como no Dharma que estamos praticando.

Se praticarmos por muito tempo, pode acontecer que, após algum tempo, surja o pensamento:
“Ainda não obtive nenhum sinal de progresso! Talvez o guru não tenha me dado as instruções mais profundas. Seria melhor fazer a prática principal em vez das preliminares, pois é mais profunda!”

Ou, se estivermos fazendo a prática principal, poderemos pensar:
“Acho que seria melhor deixar de lado esta simples prática do estágio de geração (kye-rim) e fazer o estágio de completude (dzog-rim).”

Ou ainda:
“O Dzogchen deve ser mais profundo do que essas práticas de estágio de completude, como o tummo.”

Você pode imaginar que, assim que receber os ensinamentos de Dzogchen, terá todo tipo de experiência elevada e profunda, mesmo após poucos dias. Se tiver expectativas tão altas, quando as coisas não acontecerem dessa maneira, começará a duvidar das instruções e a relaxar sua diligência.

Ou, se desenvolver o menor vislumbre de renúncia ou obtiver alguma pequena experiência ou realização, poderá surgir orgulho e pensar:
“As escolas Kagyu, Sakya e Gelug não têm nada comparável a esses ensinamentos Nyingma!”

É essencial evitar tais visões equivocadas e não supor arrogantemente que tenha alcançado alguma experiência ou realização especial. Não importa quem você seja, a mente ordinária está sempre sujeita a mudança e transformação. Portanto, procure nunca se deixar levar.

Mesmo que você praticasse dia e noite, com diligência incansável, durante doze anos completos e ainda assim não tivesse sequer um único sonho auspicioso, jamais deve perder o ânimo. Reconheça que isso se deve simplesmente à força de suas próprias obscurações e tenha plena confiança de que nem seus mestres nem os ensinamentos jamais o abandonarão.

Por outro lado, ainda que você progredisse tão rapidamente que, em apenas um único dia, alcançasse o nível no qual nada mais há em saṃsāra a ser abandonado nem nada mais em nirvāṇa a ser obtido, não deve sentir orgulho. Fazer isso apenas convidaria o demônio dos obstáculos. Foi por isso que Jetsün Milarepa disse:

“Quando você estiver se aproximando do fim do Dharma,
Continue incessantemente, sem altos nem baixos,
Sem esperar sinais de realização rápida,
Assegure que sua prática perdure enquanto você viver!”

Este é um conselho extraordinário.

Renúncia

“Renúncia” significa que, enquanto estiver no centro de retiro, cada vez que recitar a Oração das Sete Linhas ou completar uma única mālā de mantras de Maṇi, você deve dedicar essa prática à obtenção da budeidade para si mesmo e para todos os seres sencientes.

Durante o retiro, não desperdice sequer um único momento em ociosidade ou frivolidade. Evite qualquer forma de falta de sinceridade ou duplicidade — como fingir, enquanto está à vista dos outros, que pratica perfeitamente.

Faça tudo o que puder para trazer sua mente obstinada sob controle e para desenvolver fé, diligência e renúncia. Nunca pense que o Dharma que você pratica é apenas para seu próprio benefício. Recitar até mesmo um único mantra de Maṇi traz benefício inconcebível — portanto, dedique-o para o bem de todos os que vivem.

Repetidas vezes, cultive compaixão por todos os seres sencientes em geral e, de modo especial, por aqueles que não gostam de você. Pode ser difícil no início, mas jamais alcançará a iluminação enquanto continuar a nutrir má vontade em relação aos seus inimigos. Aqueles que hoje são seus inimigos foram, em vidas passadas, seus familiares. Não há nada fixo na condição de inimigo ou amigo. Sentir hostilidade pelos inimigos e apego pelos amigos é apenas uma forma ilusória de percepção.

Se você treinar sua mente para reconhecer tudo como insubstancial, semelhante a um sonho, a hostilidade perderá completamente o sentido. Isso é de importância crucial. Normalmente, nossas vidas são movidas pelo anseio por alimento, vestimenta, posses, parceiros, status e reconhecimento. Empregamos grande esforço para encontrar as formas mais astutas e eficientes de obtê-los e pensamos: “Fulano tem tanto dinheiro, meus amigos têm tanto, então eu preciso de mais.” Ou: “No passado eu morava nesse tipo de casa, nessa parte da cidade; agora irei para um lugar melhor.”

É preciso interromper totalmente esse tipo de pensamento.

No trabalho mundano, quanto mais você faz, mais sofrimento cria para o futuro. Mas agora que encontrou uma preciosa existência humana, encontrou um mestre autêntico e recebeu os ensinamentos do Dharma, sua condição é ainda mais elevada e afortunada do que a de Indra, rei dos deuses. Se colocar os ensinamentos em prática com determinação inabalável, certamente encontrará felicidade em todas as suas vidas futuras.

Portanto, contente-se apenas com o alimento e as vestes mais básicos. Em termos simples: faça tudo o que puder para renunciar e minimizar os afazeres e atividades ordinárias do saṃsāra.

Ninguém deve permanecer no centro de retiro sem tomar os votos de refúgio. Mesmo que você seja um praticante leigo, durante os três anos de retiro deve abster-se de relações sexuais. Além disso, enquanto estiver em retiro, é extremamente significativo e benéfico usar as vestes monásticas. O próprio Buda declarou que qualquer pessoa que tenha tomado os votos de refúgio pode usar as vestes monásticas.

Compaixão

De modo geral, vocês vêm praticando os ensinamentos do Mahāyāna desde que ingressaram pela porta do Dharma, e isso nada mais é do que compaixão. Sem compaixão genuína, simplesmente não há possibilidade de alcançar a budeidade.

Iludidos, todos os seres de saṃsāra valorizam apenas seus próprios interesses egoístas e negligenciam o bem-estar dos outros. No momento, por mais que estejamos bem providos de alimento, vestuário ou bens materiais, e por mais felicidade que experimentemos, nunca estamos satisfeitos. Ao mesmo tempo, se doarmos mesmo uma pequena fração do que possuímos, sentimos como se estivéssemos perdendo algo imenso.

É preciso abandonar tais atitudes. Em vez de cuidar apenas de nós mesmos, devemos aprender a valorizar os outros. Antes negligenciávamos os demais; agora devemos negligenciar nossos próprios objetivos egoístas. Sempre que realizarmos qualquer ação virtuosa com corpo, fala ou mente, devemos primeiro lembrar que o fazemos como meio para conduzir todos os seres à iluminação.

Na prática do Dharma, o mais importante é a motivação. Se estiver motivada pelo desejo de beneficiar todos os seres, então até mesmo uma única prostração ou uma única recitação do mantra de cem sílabas produzirá mérito inesgotável — mérito que permanecerá até alcançarmos a iluminação e não restar mais nenhum ser em saṃsāra.

Se, porém, não houver essa motivação de benevolência universal, então mesmo cem mil prostrações ou cem mil recitações do mantra de cem sílabas produzirão fruto apenas uma vez, e o mérito se esgotará. E um único surto de raiva será suficiente para destruir todo o acúmulo de virtude.

É crucial compreender isso.

Se considerarmos que nossa prática é para o benefício de todos os outros, então, como os seres sencientes são infinitamente numerosos, nosso próprio mérito será igualmente vasto.

Ninguém está completamente livre do sofrimento. Portanto, contemple todos os sofrimentos, grandes e pequenos, que recaem sobre os outros, e imagine que estejam acontecendo com você. Como se sentiria? Certamente faria tudo o que pudesse para evitar essa dor. Assim, reflita continuamente sobre todos os sofrimentos que os seres experimentam e desenvolva o desejo compassivo de que estejam livres do sofrimento.

Quando a compaixão é genuína, o desejo de beneficiar os outros surge naturalmente.

Nosso mestre, o Buda, quando ainda era um bodhisattva, possuía uma compaixão tão vasta e avassaladora que fez quinhentas preces de aspiração para nosso benefício. Como seus seguidores, também devemos fazer da compaixão o próprio coração de nossa prática.

Os benefícios imensuráveis de gerar compaixão genuína são descritos detalhadamente em As Palavras do Meu Mestre Perfeito e no Bodhicaryāvatāra. Estudem-nos atentamente.

Investigando a Natureza da Mente

Para investigar a natureza da mente, devemos compreender que todos os seus pensamentos ordinários — sobre qualquer coisa que possamos imaginar — são vazios e insubstanciais.

Até agora, fomos escravos do que chamamos de “mente”, forçados a vagar impotentes pela existência saṃsárica. Agora precisamos inverter essa situação e assumir o controle de nossa própria mente.

Isso será fácil se houver alguma compreensão real de que a mente é vazia. Mas apenas sustentar uma noção vaga da vacuidade da mente — pensando: “É isso que os mestres dizem” ou “É isso que os textos afirmam” — não nos ajudará a reconhecer a insubstancialidade de nossa própria percepção ilusória.

Volte a atenção para dentro e permita que a mente descanse. Você perceberá não apenas um pensamento, mas muitos.

Por exemplo: se pensa em sua mãe, esse é um pensamento. Mas ele evoca outros pensamentos — lembranças da bondade que ela demonstrou. Se ela ainda está viva, pode surgir o pensamento de visitá-la; se não está, pode surgir tristeza. Esses são pensamentos de apego.

Se pensa em seus inimigos, recordando as maneiras pelas quais o prejudicaram no passado, imaginando que o prejudicarão novamente no futuro e pensando em como deveria livrar-se deles, esses são pensamentos de aversão.

Você pode perguntar: de onde surgem apego e aversão?

Na verdade, surgem da crença ilusória na existência do que chamamos de “eu”.

Onde esse “eu” pode ser encontrado? Está no corpo ou na mente?

Se você examinar verdadeiramente o corpo — carne, sangue, ossos e pele — não encontrará nada que possa ser chamado de “corpo” em si. Como, então, poderia ser esse o local do “eu”?

Quanto à mente, ela é insubstancial. Como poderia o “eu” residir nela?

Na verdade, o “eu” é apenas um conceito, um pensamento. Não há localização dentro de um pensamento, nem algo que possa permanecer ali. Ainda assim, o poder de um pensamento — como o pensamento de nossa mãe — leva ao surgimento de outro pensamento, sobre sua bondade, e este, por sua vez, inspira o desejo de vê-la.

Se examinarmos esse processo com mais atenção, veremos que, enquanto pensamos na bondade de nossa mãe, o pensamento inicial sobre ela já não está mais presente — ele já passou. E o pensamento de que devemos visitá-la ainda não surgiu — ele ainda está no futuro. Assim que investigamos, o pensamento presente sobre sua bondade já não está ali; ele já se transformou no pensamento futuro de querer visitá-la.

Isso significa que os pensamentos de passado, presente e futuro não podem existir simultaneamente. Usamos esses termos apenas para fins de comunicação. O passado já se foi, como alguém que morreu; o futuro — aquilo que ainda não chegou — não existe de modo algum. Na verdade, não há algo como um “pensamento presente” existindo independentemente do passado e do futuro. Antes de pensarmos em nossa mãe, aquele “pensamento presente” ainda estava no futuro. Quando pensamos nela, tornou-se presente. E, ao evocarmos sua bondade, já se encontrava no passado.

O fato de um pensamento atravessar essas três fases do tempo é sinal de sua impermanência, e tudo o que é impermanente é vazio. É precisamente porque algo é vazio que pode mudar ao longo do passado, presente e futuro.

Considere a superfície de um espelho: por ser vazia — não fixa em uma forma particular — os reflexos podem aparecer nela. Quando a imagem de uma pessoa surge no espelho, o reflexo se assemelha à pessoa real, mas o rosto da pessoa não entrou no espelho nem foi transferido para sua superfície. A imagem aparece devido a causas e condições — a clareza do espelho e a presença do rosto diante dele.

O reflexo e o rosto não são a mesma coisa. O reflexo é inanimado, e quando desaparece, o rosto real não desaparece. Um rosto pode ser queimado pelo fogo; um reflexo não pode. Contudo, também não são completamente diferentes, pois o reflexo não pode surgir sem o rosto, e se a pessoa sorri ou expressa raiva, o reflexo aparece do mesmo modo.

Da mesma forma, pensamentos e reflexos parecem reais apenas quando não os examinamos. Quando pausamos e os investigamos, descobrimos que, embora apareçam, não existem verdadeiramente. E isso não se aplica apenas a esses fenômenos. Vale para todas as aparências de nossa experiência saṃsárica ilusória: parecem reais enquanto não as investigamos profundamente; quando investigamos, percebemos que não são reais. Por isso as chamamos de “realidade aparente não examinada”.

Quando essa compreensão se desenvolve e se estabiliza, tornando-se autossustentada, chamamos isso de experiência. Quando nos tornamos cada vez mais familiarizados com ela, a ponto de a mente não mais ser arrastada por apego ou aversão, chamamos isso de realização.

Ao examinar repetidamente os pensamentos dessa maneira, vemos que, embora não tenham existência real, ainda assim aparecem; e embora apareçam, são insubstanciais. Ao mesmo tempo, compreendemos que passado, presente e futuro existem apenas como nomes ou designações, nada mais do que isso.

Se tivermos essa compreensão, então, ao pensar em nossa mãe e recordar sua bondade, não precisaremos sucumbir ao apego. Podemos refletir:

“Mesmo que eu fosse visitá-la, que benefício real haveria nisso? Ela conseguiu prover alimento e vestuário para si mesma, e até para mim. Se eu assumisse esse papel, teria de trabalhar, o que provocaria apego, aversão e inúmeras distrações, que só atrapalhariam minha prática do Dharma. Em vez disso, devo dedicar minhas energias à prática o máximo possível e, então, dedicar todas as fontes de mérito à minha mãe, para aliviar seus sofrimentos de nascimento, morte e dos estados do bardo. É melhor abandonar o apego mundano. Ela tem outros filhos que podem cuidar de suas necessidades materiais; mas não há ninguém além de mim para oferecer ajuda espiritual.”

Pensar dessa forma impede que fiquemos presos aos padrões habituais de pensamento.

Isso também nos dá pistas de como abandonar a aversão em relação aos inimigos. No início pode ser difícil superar apego e aversão, mas com prática repetida torna-se mais fácil.

Se você superar apego e aversão, deixará de acumular karma. Além disso, se investigar o estado não alterado da mente que surge quando apego ou aversão se dissolvem, encontrará a natureza da mente.

Enquanto não houver muitos pensamentos surgindo, olhe diretamente, sem distração, para a própria mente. Quando houver muitos pensamentos, examine-os como descrito. Se treinar repetidamente, o reconhecimento da natureza da mente surgirá de modo natural e espontâneo. A mente não ficará mais presa aos pensamentos, e mesmo que surjam, não terão força real; não será necessário analisá-los. Bastará permanecer no estado não alterado da mente.

Se não conseguir neutralizar um pensamento de apego ou aversão, repita o processo de investigação. Quando surgirem pensamentos, não reaja com ansiedade, pensando: “Não deveria ter pensamentos durante a meditação!” Olhe diretamente para a natureza de qualquer pensamento — positivo ou negativo — e ele perderá força e se dissolverá. Sem abandonar o estado que surge em seguida, olhe suavemente para a natureza da mente, e os pensamentos desaparecerão por si mesmos. Quando não surgirem mais em sucessão rápida, você gradualmente aprenderá a liberá-los.

Ao investigar a natureza da mente, não espere obter alguma realização extraordinária ou ver algo novo. Nem duvide de sua capacidade de meditar. Confie que a natureza da mente é simplesmente a mente deixada em seu estado não alterado. Faça todo o possível para sustentar isso, sem distração, durante e entre as sessões de meditação.

Não espere realização em poucos meses ou anos. Desenvolva ou não as qualidades da prática, mantenha determinação firme e resolva praticar diligentemente dia e noite, nesta vida, nas vidas futuras e no estado intermediário do bardo.

Compreenda isto: é mais importante internalizar as instruções essenciais do que receber uma grande quantidade de ensinamentos.

De modo geral, consulte o manual As Palavras do Meu Mestre Perfeito e verifique se sua prática está de acordo com o que ali é ensinado. Se notar algo desalinhado, corrija; se estiver apenas parcialmente de acordo, veja como pode melhorar.

Aspire a praticar o Dharma de modo autêntico e nunca faça nada que possa perturbar seus irmãos e irmãs no Dharma.

Em resumo: dedique-se ao Dharma tanto quanto puder, com corpo, fala e mente.

Certamente irei visitá-los, e sempre me lembrarei de orar e praticar por sua proteção, para que todos os seus desejos em conformidade com o Dharma se realizem.

Bibliografia Edição tibetana

bkra shis dpal ‘byor. “pha ran ser lo gsum mtshams la bzhugs mkhan rnams la gdams pa/” in gsung ‘bum/_rab gsal zla ba. 25 vols. Delhi: Shechen Publications, 1994. Vol. 3: 248b–255a

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