O Onisciente Longchenpa disse que a mente que está cansada desde o início dos tempos até agora, e deve relaxar em sua própria natureza. Escutar bem a antiga ciência espiritual dos ensinamentos budistas traz benefícios para a mente exausta pelo samsara. Esta prece, composta por
S.S.1 Trulshik Rinpoche quando S.S. Dilgo Khyentse Rinpoche faleceu, descreve as aspirações de alunos separados de seus mestres pela impermanência, pedindo a bênção para que, embora os olhos não vejam mais o corpo do mestre, todas as aparências se manifestem como tal forma. Da mesma maneira, aspira-se que todos os sons se manifestem como a voz do mestre e todos os pensamentos como sua mente desperta.
Que todos os seres se beneficiem desta instrução profunda e que a alegria se espalhe pelos confins do espaço. Para meditar conforme a verdade absoluta, deve-se despertar um sentimento avassalador de desejo, alimentando-o com os desejos de todos os seres para formar uma grande montanha, e então olhar diretamente para ela, percebendo que o desejo nada mais é do que pensamento sem existência independente.
Ao voltar a mente para si mesma, nota-se que ela também carece de existência inerente no passado, presente ou futuro, sendo sua natureza tão insubstancial quanto o céu. Reza-se a todos os Buddhas e dedica-se amor e compaixão a todos os seres sencientes para que fiquem bem e seguros.
A devoção budista não deve ser cega ou adotada sem questionamentos, mas deve surgir da mente interior. Os textos sagrados afirmam que um professor deve ser examinado e, se for autêntico e trouxer benefícios,
a devoção surgirá naturalmente dessa percepção. Buddha comparou o aprendizado do Dharma ao processo de queimar, cortar e esfregar o ouro para testar sua pureza, recomendando que se examinem suas palavras cuidadosamente em vez de aceitá-las apenas por respeito.
A prática séria traz bons resultados internos, mas a liberação depende de si mesmo. Shantideva mencionou que a forma humana preciosa é difícil de obter e deve ser bem utilizada para não se perder essa oportunidade única. Se alguém segue o ego, nada aprende, mas ao seguir o mestre, aprende-se tudo.
É vital respeitar o guru autêntico, pois a linhagem e as bênçãos dependem dessa conexão. Sutras afirmam que antes do lama não havia sequer o nome de Buddha, e todos os mil Buddhas deste éon atingiram a iluminação apoiando-se em um mestre. Deve-se evitar quem ensina o Dharma, mas busca o mundano ou controverso, buscando em vez disso um mestre capaz de introduzir diretamente a natureza da mente pura.
A análise do mestre é necessária inicialmente, mas se o aluno for arrogante, nada penetrará em sua mente, como água sobre uma bola de ferro. A demora em receber realizações pode estar ligada ao excesso de conceitualização lógica.
O exemplo de Sunashaktra, que serviu ao Buddha por vinte e quatro anos mas não viu qualidades nele por focar em falhas, ilustra como a visão impura impede o recebimento de bênçãos. Quem compreende o significado da vacuidade ou possui fé firme, mesmo sendo desinstruído, está próximo de se conectar aos siddhis.
Assim, após decidir, deve-se confiar na fé e na visão pura para não atrasar a prática. Chandrakirti afirmou que mesmo uma pessoa comum que sente alegria extrema, olhos marejados e arrepios ao ouvir sobre a vacuidade possui a semente do estado de Buddha e é um recipiente adequado para a verdade.
Toda a bênção e o poder da realização dependem da fé extraordinária de ver o guru como um Buddha real, sendo que o nível da realização é proporcional ao nível dessa devoção. Ver o guru como uma pessoa comum limita a conquista espiritual.
O mestre demonstra bondade ao ensinar o que adotar e o que abandonar, permitindo que pratiquemos corretamente após eras vagando no samsara. Mesmo uma prática imperfeita tem valor, e a simples consciência de virtudes, como não matar, já carrega grande mérito.
Dudjom Lingpa profetizou que nesta era degenerada as mentes estão influenciadas por demônios, onde enganadores são tidos como Lamas, rudes são louvados como eruditos e praticantes experientes são chamados de mendigos. Ele alertou que conselhos misturados com mentiras perdem a confiança e o Dharma ligado à política perde a bênção.
༈ རྫ་དཔལ་སྤྲུལ་གྱིས། །བསྐྱེད་རྫོགས་མེད་པའི་ཆོ་ག་ཐུན་བཞི་དང་། །དག་དྲན་མེད་པའི་རྔ་རོལ་འུར་ཆེམས་དང༌། །ཏིང་འཛིན་མེད་པའི་བཟླས་བརྗོད་འབུག་འབུག་འདི། ཐར་པའི་ལམ་ལ་ཕྱོགས་ཙམ་ཉེ་རེ་ཀན།
Disse Patrul Rinpoche: Rituais sem as fases de geração e completude, quatro sessões formais de prática, tambores e címbalos estrondosos sem atenção correta, recitações de mantra sem samādhi — esse murmúrio mecânico –mal chegam a apontar na direção do caminho da libertação.
Shantideva ensinou que toda alegria no mundo vem de desejar a felicidade alheia, enquanto a miséria vem de buscar o próprio prazer.
Os Buddhas trabalham pelos outros enquanto os seres infantis buscam a si mesmos. As dez virtudes de corpo, fala e mente constituem a principal disciplina budista e funcionam como um guia para a direção correta da vida. Tudo depende da intenção; se ela for boa, os caminhos serão bons.
Jetsun Milarepa cantou sobre o desejo do iogue de morrer sozinho, sem rastros. Jigme Lingpa alertou que sem diligência o praticante é como um barqueiro sem remos, e meditar sem estudo é como tentar escalar uma rocha sem braços.
O Buddha possui percepção pura, enquanto seres comuns têm percepção impura e sofrida. Por fim, recomenda-se nunca fazer promessas quando feliz nem tomar decisões quando de mau humor, para evitar complicações e escolhas erradas.
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1Embora o termo seja Sua Santidade, traduzindo do inglês His Holiness, há dois termos mais utilizados em tibetano Kyabje (སྐྱབས་རྗེ་) – senhor do refúgio – e Gong-sa (གོང་ས་) – lugar mais alto.
